O sucesso europeu em encontrar novos fornecedores de gás natural à beira do inverno têm deixado de lado um outro importante componente da pauta de exportações russa: o petróleo. Dados da Agência Internacional de Energia mostram que as importações de petróleo da Rússia em relação à demanda total do país tem permanecido estável para a maioria dos países.

A dificuldade de implementar um teto para o preço do petróleo russo têm dado tempo ao país para financiar a guerra contra a Ucrânia. A imposição de sanções tem provocado um efeito benigno sobre o rublo que tem sido a moeda que mais se valorizou contra o dólar este ano, conforme as importações contraem de maneira significativa e as exportações se valorizam devido à crise energética.

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A valorização do rublo permitiu, no último dia 16, ao Banco da Rússia cortar a taxa básica de juros em 0.5 p.p. A inflação acumulada em 12 meses no país caiu de 15.1% em julho para 14.1% em setembro. Não obstante, com o cenário externo mais desafiador para o país, o banco central projeta uma contração do Produto Interno Bruto (PIB) em torno de 4% – podendo chegar a uma queda de 6% em um cenário mais pessimista.

No dia 22 de setembro de 2022, o governo russo convocou os reservistas, preparando-se para uma nova etapa no conflito. Nenhum movimento recente sugere que o conflito esteja próximo do fim. Ao contrário, a maior preocupação dos agentes é de que o conflito escale para um grau de violência e letalidade não vistos desde a metade do século XX.

Apesar dos esforços americanos, o futuro do conflito reside na postura que adotará a União Europeia em relação à questão energética. Isto é, depende da velocidade com a qual os países do bloco conseguirem migrar suas matrizes energéticas, reduzindo o impacto econômico da transição, e assim evitarem financiar, através de sua balança comercial, um conflito que ameaça se espalhar por todo o continente.

Por Daniel Viana, Cientista de Dados

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