(left -) Egypt and the river Nile, northerly: the mediterranean sea, northerly again: parts of south Greece, Armenia, Turkey; westerly: al-Bahr al-`Ahmar the Red Sea (with a V-shape at the upper part) the land of the V-shape - the Egyptian Sinai Peninsula (in Egyptian arabic syn), west of the Red Sea is parts of Saudi Arabia, north is Jordan, Israel, Palestine, north east is parts of Iraq (- right) More: Original public domain image from Wikimedia Commons

Nos desertos do Oriente Médio, a escassez de água potencializa carências, produz racionamentos e revela o desequilíbrio da sua distribuição entre as nações. Nessa região, o clima seco influencia as disputas históricas pelo controle das nascentes do mencionado bem natural. Nesse ínterim, as constantes tensões entre os Estados decorrem de divergências por apropriações territoriais e, por vezes, a partir de questões religiosas, como atinentes à intolerância.

Pelas referidas causas, dentre outras, os embates armados entre israelenses e palestinos revigoram hostilidades desde o século XX. Isso gera situações que agravam as relações pouco amistosas entre ambos os povos e afetam inocentes civis. Como exemplo, ao longo desses conflitos, notoriamente o controle da água esteve entre as motivações. Logo, no Oriente Médio é plausível que ela tenha importância estratégica concorrente ao petróleo, mesmo com as abundantes reservas existentes deste último.

Na Faixa de Gaza, diante do rigor climático provocado pelo calor, é permanente a necessidade de acesso dos habitantes locais à água potável. Nesse sentido, o controle israelense sobre as áreas vizinhas irrigadas por lençóis freáticos pode ser considerado estratégico. Destaca-se que esses espaços permitem originar e estabelecer poços artesianos, o que assegura melhores condições de abastecimento para a paupérrima região de Gaza.

A posse e a coordenação da distribuição de água exercida por Israel evidenciam um diferencial relevante nas suas relações com os cidadãos palestinos, afetando a vida da população residente em Gaza. Ademais, em que pese as explicações e alegações israelenses de que integrantes do grupo extremista Hamas estejam entre indivíduos palestinos, em razoável medida, é preciso ponderar a pertinência das limitações de fornecimento de água para o povo em geral.

Vale frisar que a complexidade dessas interações está na possibilidade dos terroristas atuarem disfarçados entre pessoas comuns, bem como utilizarem crianças, adolescentes, mulheres e idosos inocentes em suas atividades contra as Forças de Defesa de Israel. Portanto, nota-se que ataques indiscriminados do Hamas, em atentados contra os habitantes de Israel, impulsionam medidas avalizadas pelos mais elevados escalões políticos, como no caso do controle estratégico do acesso à água assinalado nesse texto.

Outrossim, isso deve ser considerado nas relações entre civis palestinos e militares israelenses, especialmente nos planejamentos dos métodos de combate adotados pelos comandantes e chefes dos setores de Defesa. Tal tentativa de enfraquecimento da vontade de combater do Hamas, compreende de algum modo abuso contra a integridade da sociedade palestina, o que insinua uma tática de guerra a partir da limitação de acesso à água. Convém salientar que, evidentemente, a presença de células terroristas, do grupo palestino Hamas, dificulta sobretudo que as Forças de Defesa de Israel consigam distinguir pessoas inocentes de propensos atacantes na região.

Por fim, diante do contexto exposto, as presumíveis violações do Direito Internacional Humanitário tornam imperativa a arbitragem da Organização das Nações Unidas, fundamentalmente nas áreas limítrofes de Gaza, a partir das mediações e interferências deliberadas pelo seu Conselho de Segurança. No século XXI, as regras para os combates devem ser acatadas pelos distintos beligerantes e contendores nos diversos níveis de análise das Relações Internacionais. Consequentemente, as restrições ao acesso de água para cidadãos comuns constituem um provável desrespeito às normatizações internacionais, contribuindo para as ocorrências de crimes de guerra na Faixa de Gaza.