Divulgação/ MP-RJ

Nos dois primeiros meses deste ano de 2023, somente os policiais militares do Rio de Janeiro apreenderam 100 fuzis, um aumento de 72% em relação a quantidade dessas armas de guerra apreendidas no mesmo período do ano passado.

A marca surpreendente – inédita no país e jamais alcançada em anos anteriores no estado – deve ser interpretada em duas direções.

Na primeira, o reconhecimento ao inegável senso de profissionalismo e ao trabalho coordenado de nossa tropa no combate incansável ao crime organizado. Retiramos de circulação, todos os dias, uma média superior a 15 armas de fogo, entre fuzis, pistolas e outras. E quase todas essas apreensões são feitas após confrontos com criminosos.

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A segunda direção deve nos conduzir a uma ampla reflexão sobre a quantidade absurda de armamentos em poder de criminosos em nosso estado. O Rio de Janeiro não produz armas.

Essas armas – entre as quais os fuzis – chegam em nosso território de alguma forma. É preciso uma ação conjunta, envolvendo todas as instâncias governamentais, do governo federal às forças de segurança dos estados, chegando às prefeituras.

A Subsecretaria de Inteligência da SEPM acaba de produzir um estudo, fazendo um recorte sobre os fuzis e munições apreendidos por nossa tropa, entre janeiro e 13 de março deste ano. Nesse período delimitado pelo levantamento da SSI, foram aprendidos 126 fuzis, quase todos fabricados no exterior, e 1.646 munições de calibres .556 e 7.62.

Alguns detalhes do estudo chamam a atenção: 97% dessas armas de guerra foram apreendidas na Região Metropolitana e 66% estavam em comunidades sob influência da maior e mais violenta facção criminosa que atua em nosso estado.

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Dos 126 fuzis apreendidos, 28 apresentavam a numeração de registro legível e 79 estavam em poder de criminosos que foram presos durante a ação dos policiais militares.

Todos esses detalhes – a numeração legível, a prisão do criminoso armado e o local de apreensão – são indicativos que podem ajudar na investigação sobre a origem dessas armas.

São informações relevantes para orientar um amplo trabalho investigativo, envolvendo as forças de segurança e áreas de inteligência do governo federal e dos governos estaduais. Torna-se imprescindível um grande mutirão para que esse fluxo de circulação de armas seja sufocado, a partir das fronteiras terrestres, marítimas e aéreas do país, passando pelas divisas entre as unidades da Federação e chegando aos limites entre os municípios de cada estado.

Não é mais possível aceitar essa quantidade de armas como um fato comum. A apreensão dessas armas nas mãos dos criminosos é tardia: o fuzil já está pronto para efetuar o disparo.

A redução do fluxo de armas vai impactar fortemente para reduzir a movimentação de facções rivais que disputam territórios de forma extremamente violenta. As guerras entre criminosos ocorrem sobretudo na Região Metropolitana, mas já começam a se expandir para o interior.

Em segurança pública, a prevenção sempre é o melhor remédio. A Polícia Militar do Rio de Janeiro, como as demais co-irmãs do país, tem muito a contribuir para o êxito do mutirão proposto. O combate conjunto e efetivo ao tráfico de armas facilitará em grande escala o serviço prestado pelas forças de segurança.

No Rio de Janeiro, independentemente do grau de dificuldade do cenário a ser enfrentado, nossa Corporação jamais abdicará de sua missão constitucional.

Estará sempre a postos para intervir e defender a sociedade.

Coronel PM Luiz Henrique Marinho Pires