blank
O físico nuclear Marcos Tadeu Orlando afirmou que a radiação na areia de Meaípe é a mais alta da cidade e não faz mal à saúde (Foto: Roberta Bourguignon)

Por Kananda Natielly e Roberta Bourguignon, do Jornal A Tribuna

Uma pesquisa sobre as areias monazíticas presentes nas praias de Guarapari apontou que Meaípe é a que concentra a maior quantidade de radiação natural do município.

Nos siga no Instagram, Telegram ou no Whatsapp e fique atualizado com as últimas notícias de nossas forças armadas e indústria da defesa.

Os estudos, desenvolvidos pelo Departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), apontaram também que a praia concentra a maior quantidade de minerais do País.

“A concentração de radiação está ligada à quantidade de óxido de tório, e na praia de Meaípe, temos uma alta concentração desses elementos fazendo com que ela se torne a praia com maior poder de radiação do município, além de ser a que concentra maior quantidade de minerais do País!”, explicou o responsável pela pesquisa, o professor do Departamento de Física, José Passamai Júnior.

Durante as pesquisas, os especialistas descobriram ainda que a quantidade de minerais na praia varia conforme o local e o período do ano.

blank
O físico nuclear Marcos Tadeu Orlando afirmou que a radiação na areia de Meaípe é a mais alta da cidade e não faz mal à saúde (Foto: Roberta Bourguignon)

A legislação brasileira considera aceitável a dose de radiação de, no máximo, 2,2 microSieverts (mSv). A praia de Meaípe apresenta doses 20 vezes maiores, chegando a 40 microSieverts (mSv), o que segundo os pesquisadores, não chegam a ser prejudiciais à saúde.

“Existe um conceito de que toda radiação faz mal, mas estamos comprovando que isso não é verdade. O conceito de que no máximo 2,2 mSv é aceitável, acredito que está desatualizado. A radiação da praia de Meaípe é a mais alta da cidade e não faz mal à saúde. Nossas pesquisas estão comprovando isso, inclusive é o único estudo sobre o assunto no mundo”, explicou o físico nuclear Marcos Tadeu D’ Azeredo Orlando, que estuda as areias monazíticas de Guarapari há mais de 10 anos.

Durante a radiometria em Meaípe, foram encontrados elementos terra-rara na areia. Esses componentes são substâncias químicas utilizadas na produção de itens tecnológicos e não encontrados em nenhum outro litoral brasileiro. No mundo, elementos similares estão presentes somente em Querala, na Índia.

Além disso, foi possível analisar também a presença do gás radônio. “Ele é considerado um gás nobre e é usado em terapias de combate ao câncer”, disse Orlando.

Erosão ameaça riquezas naturais

A riqueza encontrada na praia de Meaípe pode estar em risco, segundo os especialistas. Com a erosão costeira, a faixa de areia está cada vez menor, o que interfere na manutenção natural da areia monazítica.

blank
Erosão na Rodovia do Sol, na região de Meaípe, em Guarapari (Foto: Roberta Bourguignon)

A praia está morrendo por falta de afluxo de areia, explicou o professor e físico nuclear Marcos Tadeu D’ Azeredo Orlando.

“É como se a praia fosse um coração e algumas das veias estão entupidas. O mar vem e leva a areia, as correntes do próprio mar trazem. Então, se mantém um equilíbrio dinâmico: a areia entra e sai. Mas, algumas dessas veias foram entupidas e a reposição é lenta”.

No começo do ano, Orlando realizou pesquisas junto a outros professores, no fundo do mar de Meaípe e constatou que a 150 metros da linha d’água ainda há areia monazítica.

“Não terminamos os estudos devido à pandemia, mas é preciso avançar em todos os aspectos”, disse o professor.

O Departamento de Edificações e de Rodovias do Estado do Espírito Santo (DER-ES) informou que o edital para contratação da empresa responsável pelas obras de contenção será publicado ainda neste ano.

Estudo avalia efeitos da exposição

Estudos realizados com ratas comprovaram que, até mesmo com alta exposição à radiação emitida pelas areias da praia de Meaípe, não houve nenhum dano à saúde dos animais.

Para a comprovação, a professora Sônia Alves, doutora em Ciências Fisiológicas, realizou, pelo período de três meses, um experimento com oito ratas.

Os animais foram divididos em três grupos – sem exposição à radiação, exposição baixa e exposição alta. O trabalho é pioneiro por avaliar os efeitos diretos da exposição à radiação das areias de Guarapari, através da criação de um estimulador natural feito pelos professores de Física.

“Os resultados são importantes, porque não mostraram danos físicos às ratas. Avaliamos a estrutura de órgãos internos das ratas como fígado, coração, rins, hipófise, ovários e útero”, explicou a professora.

A partir desses resultados, um novo experimento está sendo desenvolvido com a intenção de comprovar se a alta radiação das areias pode reduzir o desenvolvimento do câncer de mama.

Após as areias monazíticas serem comprovadas como cura para doenças como artrite e artrose, a Universidade de Vila Velha passou a fazer testes com humanos na praia da Areia Preta.

Os pacientes foram submetidos à radioatividade da areia por 30 minutos, em duas manhãs por semana, durante o período de maio a novembro de 2019.

“Observamos melhora na utilização de medicamentos para dor, indicando que as areias do Espírito são benéficas na redução da dor para pacientes que são portadores de osteoartrose de joelho”, disse a coordenadora do Projeto Areias da Saúde, Denise Coutinho Endringer.