No dia 4 de novembro, o Exército Brasileiro (EB) celebra o dia do Oficial da Reserva (R/2). A data assinala o nascimento do Tenente-Coronel Luiz de Araújo Correia Lima, idealizador dos Órgãos de Formação de Oficiais da Reserva. Nascido em Porto Alegre (RS), em 1891, filho de militar, foi um aluno exemplar e destacou-se nos cursos das Escolas Militares que frequentou.

Como estudioso das doutrinas pós-Primeira Guerra Mundial, identificou a importância da incorporação de cidadãos com formação superior às reservas mobilizáveis. Assim, nasceu a ideia de convocar os alunos das faculdades e, fruto de seu esforço pessoal, foi criado, em 22 de abril de 1927, o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) do Rio de Janeiro. Essa organização militar (OM), pioneira na formação de Oficiais R/2 combatentes, teve, como primeiro comandante, o então Capitão Correia Lima. Nos anos seguintes, essa ideia consolidou-se com a criação de novos centros: o de Porto Alegre, em 1928, e os de Belo Horizonte e São Paulo, em 1930.

Promovido a major, por merecimento, Correia Lima foi designado para comandar o 1º Grupo do 9º Regimento de Artilharia Montada, em Curitiba. Quando irrompeu a Revolução de 1930, manteve-se fiel à legalidade e morreu em combate no dia 5 de outubro. No dia 13 de outubro do mesmo ano, foi promovido post-mortem ao posto de Tenente-Coronel, por ato de bravura.

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Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, a importância da formação de um corpo de oficiais da reserva ficou comprovada quando da criação da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Dentre os 1.070 tenentes que integraram a FEB, 433 eram oficiais R/2, dos quais 6 perderam a vida nos campos de batalha da Itália, representando metade das baixas dos oficiais subalternos combatentes. Ressalta-se, sobretudo, que o único brasileiro agraciado pelo governo americano com a Distinguished Service Cross foi o Tenente R/2 Apollo Miguel Rezk.

Atualmente, o currículo dos CPOR e dos Núcleos de Preparação de Oficiais da Reserva espalhados por todo o Brasil é meticulosamente planejado para incutir nos alunos, em um curto período, os valores morais e profissionais inerentes à vida castrense.

Em razão do surgimento de novas necessidades além das operacionais, profissionais especializados, graduados em estabelecimentos civis de nível superior em diversas áreas de interesse da Força, são selecionados e incorporados ao Exército como Oficiais Técnicos Temporários, ao lado de médicos, farmacêuticos, dentistas e veterinários.

Inseridos no processo permanente de evolução e modernização do EB, o Oficial R/2 é responsável pelo desempenho de tarefas cada vez mais complexas e relevantes. Isso exige da Força a busca constante para aprimorar a formação desses militares. Dessa forma, o Oficial Temporário, imprescindível ao funcionamento da Instituição, atua em todas as OM, nas vertentes operacional, técnica e de saúde, contribuindo sobremaneira para a prontidão da Força Terrestre. Ao retornarem à vida civil, são os multiplicadores dos valores e tradições cultuados na caserna.

Na oportunidade na qual comemoramos os 96 anos da criação do primeiro CPOR, o Exército reverencia e agradece aos Oficiais R/2 de ontem, hoje e sempre, concitando-os a manter, no desempenho de suas atividades profissionais, o compromisso de defesa da Pátria com a mesma dedicação, coragem e lealdade dos tempos de caserna!

Parabéns, Oficiais R/2 do Exército Brasileiro!

Brasília-DF, 4 de novembro de 2023.

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Universidade Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).