No dia 5 de maio, o Exército Brasileiro comemora o Dia da Arma de Comunicações, data de nascimento de seu Patrono, o Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, um verdadeiro desbravador que executou a ligação dos mais afastados pontos da fronteira brasileira às metrópoles do país.

Nascido em 1865, no Distrito de Mimoso, no interior do Mato Grosso, Rondon era descendente de portugueses e espanhóis, por parte de pai; e de índios terenas e bororos, pela parte materna.

No ano de 1881, ingressou nas fileiras do Exército, no 3º Regimento de Artilharia a Cavalo, e, posteriormente, ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, obtendo a promoção a alferes em 1888.

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No ano seguinte, após a Proclamação da República pelo Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, o novo governo demonstrou preocupação com o oeste brasileiro, que, além de pouco povoado, em comparação às metrópoles do litoral, encontrava-se isolado em termos de comunicações. Nesse contexto, Rondon foi designado para participar da Comissão de Construção de Linhas Telegráficas, com a função de coordenar a implementação da primeira Linha Telegráfica do Estado de Mato Grosso, ligando-o ao Estado do Rio de Janeiro, então Capital Federal.

Prosseguindo na missão de integrar as terras longínquas, Rondon foi nomeado Chefe do Distrito Telegráfico do Mato Grosso, em 1895, quando teve contato com os índios bororos e deles recebeu auxílio para a conclusão do projeto. Tal feito reforçou a confiança e o reconhecimento por parte do Presidente da República e, em 1906, recebeu de Afonso Pena a tarefa de integrar Cuiabá ao recém-anexado Território do Acre.

Com a experiência adquirida nas expedições pelo interior do território nacional, os anos de 1913 e 1914 foram marcados por uma nova missão na região do então rio da Dúvida. Dessa vez, Rondon foi acompanhado por Theodore Roosevelt Jr, Presidente dos Estados Unidos da América (1901 a 1909). Anos mais tarde, Theodore Roosevelt Jr afirmou que aquela fora a aventura mais difícil de sua vida, uma epopeia que rebatizou o curso d’água como Rio Roosevelt.

Ainda como coronel, Rondon era amplamente reconhecido pela sociedade brasileira, bem como valorizado, na Força, por ser um soldado abnegado, impetuoso e desbravador. Nos anos seguintes, prosseguiu em sua missão de integração, explorando novas áreas, pacificando revoltas e mantendo boas relações com todos os povos indígenas que encontrou durante as suas expedições. Como exemplo de seu empenho e comprometimento com a causa indígena, em 1952, Rondon apoiou o projeto da primeira reserva indígena do Brasil: o Parque Nacional do Xingu, criado em 1961.

Tais ações, no trato com os índios e na sua integração à sociedade, ficaram claramente condensadas em sua célebre frase “Morrer se preciso for, matar nunca!”, a qual comprova que Rondon foi um homem muito à frente de seu tempo.

Por todos os seus feitos, dentro e fora do âmbito militar, Rondon foi reconhecido e recebeu prêmios e honrarias ao longo de sua vida e, até mesmo, postumamente. Foi promovido ao posto de Marechal de Exército, em 1955, como reconhecimento por seus feitos no mapeamento, na pacificação, na catalogação da fauna e da flora e na integração de regiões remotas.

Pela causa indígena e seu espírito pacificador, Rondon foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz por duas vezes: a primeira, em 1925, pelo físico Albert Einstein; e a segunda, em 1957, pelo Explorer Club de Nova Iorque (EUA), sendo homenageado, ainda, ao dar nome ao atual Estado de Rondônia (rebatizado em 1981) e ao ter seu nome inscrito no Livro de Heróis da Pátria em 2015.

Assim, sua tenacidade, dedicação, abnegação e integridade, atributos marcantes de sua personalidade, tornaram-no merecedor, com indiscutível justiça, do título de Patrono da Arma de Comunicações do Exército Brasileiro, por intermédio do Decreto 51.560, de 26 de abril de 1963, sendo sua data natalícia adotada como o Dia Nacional das Comunicações.

Na arte da guerra, as Comunicações sempre foram essenciais para as ações de coordenação no campo de batalha. Meios e sistemas de comunicações foram desenvolvidos pela engenhosidade humana para garantir a transmissão de ordens, a conjugação de esforços e a monitoração do teatro de operações.

O trabalho silente foi e sempre será necessário e fundamental para assegurar as vitórias no entrechoque das nações. No Brasil, dos primórdios coloniais em Guararapes à espada invicta de Caxias, mesmo antes da sua existência como Arma, as Comunicações estiveram presentes e evoluíram com o Exército, como, por exemplo, na Guerra da Tríplice Aliança, quando o telégrafo de campanha foi utilizado pela primeira vez em um campo de batalha na América do Sul.

A rápida expansão tecnológica – especialmente nos últimos séculos – fez com que o interesse dos exércitos fosse, rapidamente, direcionado ao Comando e Controle (C2). Novas tecnologias, como a eletricidade, o telefone e o rádio mudaram drasticamente os Teatros de Operações, aumentando a velocidade com a qual as informações trafegam e revolucionando a forma de combater ao redor do mundo. O mensageiro, que antes precisava correr por dias e noites, foi substituído por um impulso elétrico ou uma onda eletromagnética que necessita de frações de segundo para chegar ao seu destino.

Nesse cenário repleto de desafios, a participação da 1ª Companhia de Transmissões na 2ª Guerra Mundial, realizando as ligações entre as unidades brasileiras e norte-americanas, bem como contribuindo para a manutenção do fluxo na transmissão das ordens que levaram a Força Expedicionária Brasileira (FEB) à conquista de inúmeras vitórias militares, representaria o nascedouro da Arma do Comando.

Assim, em 25 de agosto de 1956, por meio da Lei nº 2851, foi criada a Arma de Comunicações, com a missão de instalar, explorar, manter e proteger os diversos sistemas de comunicações, os quais suportam as atividades de Comando e Controle, sendo a responsável por integrar todas as funções de combate no Exército Brasileiro e fornecer a consciência situacional para seus comandantes em todos os níveis.

A Arma do Comando opera em diversos cenários, entre eles, as Operações de Paz e as atividades de Garantia da Lei e da Ordem, em ambientes predominantemente urbanos, onde as ações possuem características completamente diferentes das existentes em operações convencionais.

Assim, as barreiras ao campo eletromagnético passaram a incluir, além da topografia do terreno, as construções urbanas e a interferência produzida de forma intencional ou não, requerendo dos discípulos de Rondon a implementação de novas tecnologias que proporcionem a consciência situacional mais adequada ao processo decisório.

Recentemente, após o incremento das atividades militares no campo cibernético, foi criado o Centro de Defesa Cibernética (CD Ciber), que realiza estudos de ataque e de defesa cibernéticos, bem como visitas técnicas e cursos de capacitação, mantendo o Exército Brasileiro atualizado para confrontar as novas ameaças globais, as quais, cada vez mais, estendem-se ao ambiente virtual.

Nobres comunicantes! Lembrem-se de todos os feitos de seu Patrono, Cândido Mariano da Silva Rondon, exemplo de amor à profissão, coragem, lealdade, patriotismo, dedicação e altruísmo. Sigam firmes, estabelecendo ligações rápidas, confiáveis e seguras, em todos os rincões do país, contribuindo com o sucesso da missão do Exército Brasileiro de manter a integridade territorial de um país continental, que teve o privilégio de ter, entre seus cidadãos, o Marechal Rondon, cujo nome deve seguir sempre “pulsando em seus corações”.

Sempre estarás na vanguarda e cumprirás do comando as missões!

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Universidade Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).