A 7.500 quilômetros da capital brasileira fica uma das relíquias da história nacional: o coração de Dom Pedro I. Pela primeira vez, após 187 anos, o tesouro deixou a Igreja Irmandade de Nossa Senhora da Lapa, localizada na cidade de Porto, em Portugal. O destino foi o Brasil e o motivo de sua vinda é muito simbólico: ele vai integrar as comemorações do Bicentenário da Independência.

Emprestado pelo Governo Português, o coração do primeiro Imperador do Brasil é conservado em formol e protegido a cinco chaves em uma urna. Por isso, a liberação para a viagem só ocorreu depois que uma equipe avaliou as condições do órgão e garantiu que não haveria riscos. O coração do  Imperador  foi embarcado em ambiente pressurizado, ou seja, controlado, conforme as orientações do Instituto de Medicina Legal (IML), feitas à Prefeitura de Porto. Toda a estrutura de exposição do material foi desmontada para o transporte, em um processo que inspirou muitos cuidados e um planejamento detalhado da logística.

O Superintendente da Polícia de Segurança Pública de Portugal, Antônio Leitão da Silva, explicou que, apesar de ter sido um processo complexo devido ao ineditismo, o traslado foi planejado de forma minuciosa com a Força Aérea Brasileira (FAB). “Foi feita a articulação com as autoridades brasileiras, que desde o primeiro momento, se revelaram extraordinariamente dedicadas, profissionais e profundamente empenhadas para que a operação ocorresse particularmente bem, disponibilizando, inclusive, uma aeronave da FAB para fazer o traslado do coração de Dom Pedro I”, informou.

Cerimônia em Brasília

Foi a bordo da aeronave VC-99 Legacy, escoltada por dois caças F-5M, que o coração chegou à Capital Federal nesta segunda-feira (22/08), sendo recebido com todas as honras de chefe de Estado pelo Ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira; pelo Comandante da Força Aérea Brasileira, Tenente- Brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior; pelo Embaixador de Portugal no Brasil, Luís Filipe Melo e Faro Ramos; e demais autoridades civis e militares.

“Hoje, regressa ao solo pátrio, pelas Asas da Força Aérea, o coração deste herói nacional, primeiro imperador do Brasil, chamado de ‘O libertador’. Esse legítimo ícone da Independência Brasileira foi um governante muito à frente do seu tempo. Um líder visionário e destemido, que atuou em prol dos interesses do Brasil”, discursou o Ministro Paulo Sérgio Nogueira durante a cerimônia.

Para o Embaixador de Portugal no Brasil, Luis Filipe Melo e Faro Ramos, a associação de Portugal às comemorações do Bicentenário mostra, mais uma vez, a boa relação construída entre as duas nações. “Para nós é sempre motivo de grande satisfação verificar que da parte brasileira houve esse pedido e esse carinho pela relíquia que une Portugal e Brasil”, destacou.

Celebrando a recepção calorosa, o Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira, falou que o momento é uma oportunidade de valorizar o papel do Porto na relação entre Portugal e Brasil. “Ao ceder temporariamente este bem cultural, o município do Porto está não apenas homenageando o Brasil, mas também promovendo o aprofundamento e a dinamização entre esses dois países irmãos”, destacou.

O órgão será levado de volta a Portugal no dia 9 de setembro, depois das comemorações dos duzentos anos da Independência do Brasil. A relíquia ainda vai ficar exposta por mais dois dias na cidade do Porto antes de ser guardada novamente no cofre.

História

O “Rei Soldado”, como ficou conhecido Dom Pedro I, desejou que seus ossos ficassem no Brasil, país onde foi imperador de 1822 a 1831, na cripta do Monumento à Independência, em São Paulo, mas ordenou que o seu coração permanecesse no Porto, cidade que o tem como herói devido às batalhas travadas com seu irmão Dom Miguel. A Irmandade de Nossa Senhora da Lapa foi escolhida por vontade de Dona Maria II, rainha de Portugal e filha de Dom Pedro, pois era nessa igreja que o pai assistia às missas militares.

Texto: Tenente Marayane Ribeiro e Aspirante Eniele Santos / CECOMSAER

Fotos: Tenente Marayane Ribeiro / Sargentos Müller Marin e P. Silva (CECOMSAER)

Vídeo: Sargento Mônica / CECOMSAER

Marcelo Barros, com informações e imagens da Agência Força Aérea
Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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