Em setembro de 1944, o navio “General Meigs” partiu carregando 5.239 homens do 11º Regimento de Infantaria (11º RI) do Brasil. Esta viagem marcava o início da participação brasileira na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. A travessia do Atlântico era uma rota infestada por submarinos alemães, representando o primeiro grande desafio para esses soldados, que em breve enfrentariam adversidades ainda maiores em solo europeu.

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O Planejamento Estratégico e a Ofensiva em Montese

Chegando à Itália, o general Mascarenhas de Moraes, líder da Força Expedicionária Brasileira (FEB), propôs uma ousada ofensiva para capturar Montese, um ponto estratégico na linha defensiva alemã conhecida como Linha Gengis Khan. Este movimento era crucial para a operação aliada que visava romper as defesas no norte da Itália, facilitando o avanço até o Rio Pó e, eventualmente, aos Alpes. A batalha por Montese se revelaria uma das mais sangrentas para a FEB, destacando a ferocidade do conflito na região.

O Ápice da Batalha: Conquista e Custos

No dia 14 de abril de 1945, o 11º RI iniciou o assalto a Montese com o apoio da artilharia divisionária e unidades de cavalaria. Os alemães responderam com intensos bombardeios, mas a determinação brasileira foi crucial para superar as defesas inimigas. Apesar das pesadas baixas — 426 soldados entre mortos, feridos e desaparecidos — a unidade brasileira mostrou uma capacidade notável de combate urbano e tático, recebendo elogios especiais do comando aliado por sua performance.

O Legado de Montese e o 11º Batalhão de Infantaria de Montanha

A experiência adquirida nas duras batalhas da Itália não só solidificou o 11º RI como uma unidade de elite dentro do Exército Brasileiro, mas também pavimentou o caminho para sua transformação em 1973 no 11º Batalhão de Infantaria de Montanha. Este batalhão é hoje o centro do montanhismo militar no Brasil, destacando-se em treinamentos e competições nacionais e internacionais. Anualmente, a tomada de Montese é comemorada, reforçando a memória dos sacrifícios feitos pela liberdade e pela democracia.

Mantendo Viva a Memória

Os heroicos feitos do 11º RI na Segunda Guerra Mundial transcendem gerações, ensinando-nos sobre coragem, sacrifício e o custo da paz. Essas lições permanecem relevantes, especialmente em momentos de crise global, como visto recentemente com a pandemia de COVID-19, que afetou as comemorações do 75º aniversário da batalha em Montese. Por meio deste artigo, buscamos não só recontar essa história significativa, mas também inspirar futuras gerações a valorizar e aprender com o passado.

Marcelo Barros, com informações do Exército Brasileiro
Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).