Imagem de rawpixel.com no Freepik

Nos últimos anos, Israel tem buscado estreitar laços com o mundo árabe, uma estratégia que, segundo especialistas, pode ter desencadeado a recente ofensiva do Hamas. Desde 2020, Israel assinou os Acordos de Abraão com países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão. Estes acordos, mediados pelos Estados Unidos, tinham como objetivo principal estabilizar as relações com os países árabes e, consequentemente, isolar o Irã, um aliado de longa data do Hamas.

A Perspectiva dos Especialistas

Maurício Santoro, cientista político e professor de Relações Internacionais, acredita que o Hamas viu nos Acordos de Abraão uma ameaça direta. O ataque, segundo ele, foi uma forma de enviar uma mensagem política aos israelenses, lembrando-os do ataque surpresa da Guerra de Yom Kippur, ocorrida há 50 anos. Karina Caladrin, assessora do Instituto Brasil-Israel e pesquisadora da USP, reforça que o Hamas se opõe veementemente aos acordos árabe-israelenses, vendo-os como um enfraquecimento da causa palestina.

Nos siga no Instagram, Telegram ou no Whatsapp e fique atualizado com as últimas notícias de nossas forças armadas e indústria da defesa.

Influências Internacionais

Além dos Acordos de Abraão, Robson Valdez, doutor em Estudos Estratégicos Internacionais, destaca a influência da China no Oriente Médio através dos investimentos da Rota da Seda. Esta iniciativa chinesa busca uma maior estabilidade política na região, algo que o ataque do Hamas tende a desestabilizar. Valdez ressalta a importância de um Estado Palestino soberano que coexista pacificamente com Israel, uma visão compartilhada pela comunidade internacional.

Conflitos e Assentamentos Israelenses

Enquanto Israel avançava em suas negociações com os estados árabes, as relações com os palestinos deterioravam-se, principalmente devido à expansão dos assentamentos israelenses. Maurício Santoro destaca que a relação com a Autoridade Palestina piorou nos últimos anos, especialmente sob o governo de Netanyahu. Karina Caladrin concorda que os assentamentos alimentam o conflito atual, mas ressalta a responsabilidade da comunidade internacional e dos países árabes na perpetuação deste cenário.

O cenário no Oriente Médio é complexo e multifacetado. A tentativa de Israel de estabilizar relações com países árabes, enquanto mantém tensões com os palestinos, cria um ambiente propício para conflitos. A solução, embora desejada por muitos, parece distante, especialmente com a presença de grupos como o Hamas. O caminho para a paz é incerto, mas o entendimento e a diplomacia devem prevalecer.

Com info da Agencia Brasil

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Universidade Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).