Acidentes com minas terrestres seguem matando e ferindo milhares de pessoas

Ações de desminagem foram reduzidas por causa da Covid-19; Monitor 2020 revela que mais de 80% do mundo ou 164 países adotaram Tratado de Proibição de Minas; uso por grupos armados não-estatais preocupa especialistas.

blank
ONU/Martine Perret - Busca por minas terrestres em Mehaires, no Saara Ocidental.

Google News

Cerca de 2,2 mil pessoas foram mortas no ano passado por minas terrestres. Nessas explosões, mais de 5,5 mil ficaram feridas. Esses são os dados do Monitor de Minas Terrestres 2020, divulgado na semana passada.

A entidade da sociedade civil, apoiada pelas Nações Unidas, afirma que mais de 80% do mundo, ou 164 países, adotaram o Tratado para Proibição de Minas, e a maioria das 33 nações que não têm obrigação com o documento, cumpre o texto.

image1170x530cropped 10 - Acidentes com minas terrestres seguem matando e ferindo milhares de pessoas
ONU/ Marco Dormino –
Mais de 80% do mundo, ou 164 países, adotaram o Tratado para Proibição de Minas.

Conflitos

Mesmo com os avanços, conflitos longos continuam causando a morte de muitos civis além de outros perigos como o uso de minas terrestres improvisadas por grupos armados não-estatais.

No ano passado, houve ainda uma queda na assistência para ações de desminagem em todo o globo.

Numa videoconferência com o Instituto da ONU para Pesquisa de Desarmamento, em Genebra, a líder da Campanha Internacional para Proibição de Minas Terrestres / Coalizão contra Bombas de Fragmentação, Icbl-CMC, afirmou que a relação de pessoas mortas ou feridas indica claramente que “existem muitos mais casos”.

image1170x530cropped 2 2 - Acidentes com minas terrestres seguem matando e ferindo milhares de pessoas
Unmas/Gwenn Dubourthoumieu –
Técnico em desminagem recebe capacitação na República Democrática do Congo

Assistência

Loren Persi acredita que pessoas feridas por minas e explosivos remanescentes de guerras não estão sendo contadas de forma adequada em muitos países em conflito.

O Monitor de Minas Terrestres 2020 revela que a maioria dos mortos e feridos é civil. Muitos não têm acesso à assistência de emergência como os alvos militares.

Os homens são mais de 80% das vítimas civis e militares. Segundo o estudo, eles têm uma tendência a se arriscar e são também mais ativos fora de casa especialmente na agricultura.

E quase metade de todas as vítimas fatais civis, nos últimos anos, são crianças.

Persi contou que há sete anos, houve a maior queda no número de acidentes com minas antipessoais. Mas a conquista foi revertida.

Com o novo aumento nas taxas de mortos e feridos pelas minas.

image1170x530cropped 3 2 - Acidentes com minas terrestres seguem matando e ferindo milhares de pessoas
Minusma/Harandane Dicko –
No ano passado, houve ainda uma queda na assistência para ações de desminagem em todo o globo

Alimentos

Uma especialista que atuou na pesquisa revela que apesar de campanhas de conscientização sobre o risco de minas serem eficientes em comunidades, os acidentes com civis geralmente são causados por pessoas que estão precisando ou buscando alimentos.

No ano passado também houve uma redução de 7% no financiamento para ação de desminagem em comparação a 2018.

O total de 45 doadores e países afetados foi de US$ 650 milhões.

Covid-19

Este ano, a pandemia da Covid-19 levou à redução de ações de limpeza de minas enquanto os conflitos seguem em países como Afeganistão, Iêmen, Ucrânia e outros.

O relatório revelou que o único uso confirmado de minas terrestres por forças governamentais ocorreu em Mianmar, a antiga Birmânia, no sudeste da Ásia.

Há relatos ainda de que grupos armados não-estatais seguem lançando bombas terrestres em pelo menos seis nações: Afeganistão, Colômbia, Índia, Líbia, Mianmar e Paquistão.

A Ação de Desminagem informa que já destruiu mais de 55 milhões de estoques até o momento, em todo o mundo, incluindo mais de 269 mil em 2019.

Fonte: ONU News

Assine nossa Newsletter


Receba todo final de tarde as últimas notícias do Defesa em Foco em seu e-mail, é de graça!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui