O novo Ministro de Minas e Energia do governo Lula, Alexandre Silveira, tem feito escolhas sensatas na seleção dos administradores do segundo escalão do governo, especialmente em pastas estratégicas que exigem grande conhecimento, cuidado e experiência.  Suas escolhas tem atendido as necessidades do atual governo, mas também às necessidades do país nos segmentos mais estratégicos, como o Nuclear. Desse setor podem ser destacados duas empresas em especial:  a INB, que produz o nosso combustível nuclear e a Nuclep, única empresa nacional capacitada à fabricação e manutenção dos equipamentos nucleares para o Brasil, principalmente às Usinas de Angra. E é à Nuclep, que, desde a década de 90, a Marinha do Brasil confia a construção dos submarinos do país, inclusive do nosso futuro e primeiro submarino de propulsão nuclear.

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Para dirigir uma empresa desse porte, não pode ser qualquer arco e flecha. Tudo envolve segredos de Tecnologia e de Defesa, que precisam de sigilo absoluto, sob pena severa de perda de contratos e processos judiciais críticos contra a administração da empresa. Para titularidade de uma estatal estratégica como essa, é preciso ter uma gestão reconhecida, de confiança dos clientes, experiência e know how comprovados. Alguns sindicalistas metalúrgicos mais radicais, no entanto, não tem esta mesma visão estratégica, que agrega valor e desenvolvimento ao setor.

Recentemente eles se manifestam de forma a forçar o ministro Alexandre Silveira a substituir a direção da companhia, na voracidade por mudanças que podem comprometer o momento consolidado na Nuclep. Felizmente, por outro lado, o ministro Silveira,  demonstra uma boa visão e se mantem como algodão entre cristais. Sabe desta importância e segue adiante. Ele é  apoiado por deputados influentes, como Júlio Lopes, titular da Frente Parlamentar Mista de Tecnologia e Atividades Nucleares (FPN) no Congresso Nacional; Lindbergh Farias; Áureo Ribeiro e Luiz Fernando Faria.

Nomeado para o cargo na gestão da ex-presidente Dilma Roussef, o dirigente da Nuclep, Carlos Seixas, há cerca de um ano, vem tendo seu nome constantemente atacado. Seixas é rotulado por um grupo de colaboradores mais radicais ligados ao sindicato dos metalúrgicos do Rio, como responsável por permitir a regressão salarial de alguns funcionários. Mas, para lembrar, esse processo judicial que exigiu o cumprimento da ordem pela diretoria executiva, teve início anterior à gestão de Seixas e já chegou às suas mãos com trânsito em julgado (que não permite recurso) e ordem de cumprimento judicial imposta pelo Tribunal de Contas da União (Processo 020285/2018). O processo se deu por uma denúncia anônima ao MP/RJ de um funcionário questionando o salário de outros. Correu em sigilo e chegou para a diretoria atual apenas executar, o que foi feito. Por esta decisão, o Presidente da companhia tem sido atingido duramente, tendo até a sua família atacada nas redes sociais. Carlos Seixas, no entanto, tem demonstrado o equilíbrio de sempre, mesmo nas fases mais adversas que a companhia atravessou, desde que assumiu sua presidência.

Para dar termos reais, de lá para cá, reergueu uma empresa praticamente falida e em paralelo ao trabalho intenso comercial e de recuperação financeira e defendeu a companhia do processo  de privatização. A Nuclep tem hoje, em sua carteira de negócios, um faturamento previsto para 2023, no valor de 95 Milhões, em 2024, um faturamento de 105 Milhões, considerando somente os contratos já assinados. Em seu piso fabril, há obras em andamento que atendem a todos os segmentos que atua: Nuclear, Defesa, Energia, e Óleo e Gás. A empresa é responsável pela construção dos equipamentos do chamado Bloco 40, seção onde ficará o reator do LABGENE, protótipo em tamanho real do submarino de propulsão nuclear brasileiro. Finalizará a entrega desses equipamentos à Marinha do Brasil, exatamente amanhã (24). Aí, então, então se dedicará à montagem no Complexo Naval de ARAMAR, em Iperó – SP.

Até março, a Nuclep e ICN assinarão o contrato para a fabricação da Seção de Qualificação do Submarino de Propulsão Nuclear. Seção que será usada para qualificar operários e engenheiros  a desempenhar com êxito suas funções no futuro SN-BR. O presidente da estatal lembra da importância da qualificação da mão de obra da empresa para a manutenção dos equipamentos estratégicos por ela fabricados às nossas Usinas nucleares de Angra dos Reis. E ratifica a importância do entendimento de que o submarino de propulsão nuclear brasileiro é um desenvolvimento totalmente nacional, envolvendo muitos segredos e informações classificadas: “A Nuclep é a única companhia no país capaz de construir equipamentos nucleares, desde o vaso do reator do SN-BR aos Acumuladores e Trocadores de Calor de Angra 3.”

Fonte: Petronotícias