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Imagem: Pixabay

* Por Laís Roupinha é gerente de operações da Slimstock

Um dos assuntos mais comentados do comércio internacional tem sido a falta de contêineres, que tem prejudicado importações e exportações e, consequentemente, gerado a falta de alguns insumos na indústria e varejo. De fato, a retomada dos negócios entre os países, após períodos de retração por causa da pandemia, criou uma demanda maior do que a capacidade de transportar os produtos e há muito menos contêineres disponíveis.

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Por conta disso, houve um forte aumento de custos em quase todas as áreas. Os valores gerais de envio subiram cerca de 500% nos últimos dois anos. E a Covid, obviamente, teve um papel nisso, mas não é o único motivo.

A questão é que tem havido bloqueios em fronteiras no mundo todo. Fazendo uma comparação, o transporte marítimo funciona como o fluxo de células sanguíneas ao redor de um corpo. É ótimo se seu coração, neste caso, a China, está bombeando-os. Mas um bloqueio em uma parte do sistema, como a Europa, vai causar estragos em algum ponto.

Some a isso o aumento na demanda de alguns itens durante o bloqueio da Europa e dos Estados Unidos, especialmente de bens manufaturados vindos da China, e provavelmente haveria o equivalente a alguns ataques cardíacos se formos fazer uma comparação.

Com o aumento da demanda, a China, como qualquer fornecedor de olho no aquecimento do mercado, passou a encher contêineres e despachá-los para o restante do mundo. Contudo, com os bloqueios operando em uma escala de tempo diferente em cada lugar, ficou cada vez mais difícil reabastecer os contêineres para devolvê-los.

Qual seria a solução então?

E se pudéssemos adicionar mais alguns navios na logística ao redor do mundo? Apenas, esse processo levaria cerca de três anos para ter um efeito positivo. Daria para impor prazos para a movimentação de contêineres? Parece uma boa ideia, mas o objetivo de impor a governos individuais uma meta comum é mais complexo do que realizar uma cirurgia cardíaca, sem pelo menos um dia de treinamento médico. Da mesma forma, fabricar novos contêineres não resolveria o problema em questão, principalmente dentro de um período curto de tempo, criando um outro problema complicado de resolver.

Portanto, a melhor maneira de contornar esse gargalo, é por meio da criação de estratégias, táticas e decisões de execução para sanar o fluxo errôneo nesse circuito mundial. Seja qual for problema que está afetando um negócio, a previsão colaborativa sempre será o melhor caminho. Um bom plano de demanda, que leva a uma previsão de compra mais precisa, economizará tempo e dinheiro para as empresas, já que em momentos de pouca escolha, as decisões que a companhia e seus fornecedores fazem precisam ser bem fundamentadas.

É preciso entender quais produtos são os mais importantes e todas as suas variáveis para a tomada de decisão. Muitas vezes, eles podem ser os únicos com lucro próprio por unidade. Por outro lado, talvez eles sejam líderes de perdas, aqueles que podem gerar mais vendas para o negócio, mas perdem dinheiro individualmente.

Diante deste cenário, as decisões sobre o que estocar precisam ser mais táticas do que nunca. E a colaboração e planejamento em torno dessa questão não é algo para ser ignorado.

Engajar as equipes para apurar melhor a demanda é um elemento crucial para uma empresa. No entanto, uma previsão melhor significa maior precisão e, como resultado, uma maior longevidade para o sucesso que muitas empresas estão lutando para encontrar mesmo em momento de crise.