Ela é responsável por integrar o território nacional, com conexões, muitas vezes, em todo o mundo. Cumpre missões de transporte de cargas, transfere doentes e feridos que necessitam de atendimento urgente, ajuda no combate a incêndios florestais e está sempre alerta para ser engajada na defesa do território nacional. Recentemente, foi fundamental para as operações Repatriação e COVID-19. No cotidiano, no entanto, atua em diversas outras missões. O dia 12 de junho é dedicado a ela: a Aviação de Transporte. A data lembra uma de suas mais célebres missões: o Correio Aéreo Nacional (CAN).

Nesse dia, em 1931, os Tenentes Nelson Freire Lavenére Wanderley e Casimiro Montenegro Filho realizaram aquele que foi considerado o primeiro voo do CAN da história. A bordo de um Curtiss Fledgling K-263, saíram do Rio de Janeiro (RJ) e levaram um malote com duas cartas até São Paulo (SP). Assim, 91 anos depois, a Aviação de Transporte segue ainda mais estratégica para a FAB e para o Brasil devido ao seu papel, pois abrange missões de assalto aeroterrestre, busca e salvamento, evacuação aeromédica, reabastecimento em voo, combate a incêndio, exfiltração e infiltração aérea.

Ao todo, a FAB conta com 13 Unidades Aéreas que atuam nessa área, sediadas em Manaus (AM), Belém (PA), Parnamirim (RN), Rio de Janeiro (RJ), Canoas (RS), Campo Grande (MS), Anápolis (GO) e Brasília (DF). Para as missões, os esquadrões utilizam as aeronaves KC-390 Millennium, C-130 Hércules, C-105 Amazonas, C-99, C-97 Brasília, C-98 Caravan, C-95 Bandeirante, U-100 Phenom e, em um futuro próximo, o KC-30.

Esquadrão Gordo mais operacional

Em março de 2022, o Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte (1º/1º GT) recebeu as duas primeiras aeronaves KC-390 Millennium. Na oportunidade, o Comandante do Comando de Preparo, Tenente-Brigadeiro do Ar Sergio Roberto de Almeida, destacou que o recebimento dos cargueiros pelo Esquadrão Gordo é uma nova fase da implantação do KC-390 na FAB. “Esse projeto começou sendo implantado em Anápolis e, hoje, já se encontra em operação no Rio de Janeiro, o berço da Aviação de Transporte. Assim, a Unidade pode colocar em prática tudo o que aprendeu nos diversos anos de operação com o C-130, cada vez sendo mais eficiente”, pontuou.

Operação Repatriação

Eficiência e versatilidade são duas das palavras que definem bem o KC-390. Devido a essa versatilidade, o maior avião militar multimissão do hemisfério sul foi escolhido para repatriar os brasileiros que saíram da Ucrânia por causa da guerra. “Na ida para Varsóvia, na Polônia, onde os passageiros embarcaram, a aeronave levou cerca de 12 toneladas de donativos em ajuda humanitária ao país europeu. Desembarcada a carga, o espaço foi reconfigurado para oferecer um banheiro extra, refeições e condições suficientes para todos voltarem ao Brasil com o máximo conforto possível”, explicou o comandante da aeronave na missão, Major Aviador Anderson Dias Santiago.

Aquisição de dois KC-30

Visando um salto ainda maior na operação da Aviação de Transporte, a FAB assinou no dia 18 de abril, o contrato referente à aquisição de duas aeronaves modelo A330-200 (KC-30), compatíveis com a versão militar A330 MRTT (do inglês Multi-Role Tanker Transport). A empresa Azul S.A. foi declarada vencedora por atender a todos os requisitos do certame, apresentando uma oferta de R$ 375 milhões de reais, na cotação atual. A aquisição tem como objetivo suprir as carências operacionais da FAB em ações estratégicas, como Reabastecimento em Voo (REVO), Transporte Aéreo Logístico (de cargas e passageiros) e Ajuda Humanitária. Em situações de calamidade pública, como desastres naturais, pandemias ou emergências médicas, o avião pode, também, realizar missões de Evacuação Aeromédica (EVAM) de grande número de pacientes.

Um vetor multimissão estratégico de transporte e REVO se caracteriza por ser capaz de transportar passageiros, em uma cabine comercial convencional, e um grande volume de carga nos porões, em voos de longo curso. A mesma cabine pode ser reconfigurada rapidamente para cumprir missões de evacuação aeromédica, ou seja, moldar-se de acordo com as necessidades operacionais, com grande flexibilidade.

Assim, com a junção das potencialidades operacionais das  aeronaves que já estão em atuação e das que serão incorporadas em breve aos esquadrões, a FAB garante, ainda mais efetivamente, a manutenção da soberania do espaço aéreo e integração do território nacional, com vistas à defesa da pátria.

Fotos: Agência Força Aérea

Marcelo Barros, com informações da Agência Força Aérea
Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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