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A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) estão investigando um esquema de contrabando de armas e drogas com as “digitais” de duas facções criminosas, uma paulista e outra venezuelana, no Rio Uraricoera, em Roraima, na fronteira com a Venezuela. A região é a mesma onde tem ocorrido conflitos armados entre garimpeiros ilegais e indígenas da Terra Yanomami.

A investigação, mantida sob sigilo, começou em outubro a partir de uma denúncia de um roubo de 17 quilos de ouro — o quilo do metal é negociado a R$ 350 mil — em um dos garimpos do Rio Uraricoera. O comunicado à PF foi feito pelos próprios garimpeiros que atuam na terra indígena. Eles definiram o assalto como “cinematográfico”, praticado por dez pessoas encapuzadas, com armas de grosso calibre, e com o apoio de um helicóptero e lanchas rápidas. Garimpeiros teriam sido amarrados e outros feitos reféns na fuga.

Ao investigar o roubo do ouro, agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), coordenada pela PF, chegaram a quatro suspeitos de atuarem no comércio ilegal de armas em Boa Vista. Com eles foram encontrados um fuzil AK-47, capaz de derrubar uma aeronave, e outro colt .556, ambas consideradas armas de guerra, além de cocaína e uma balança de precisão. Os suspeitos disseram que compraram as armas de um garimpeiro venezuelano, não identificado, por R$ 112 mil.

A partir dessa operação, a inteligência da PF passou a monitorar a presença de facções no garimpo. O secretário de Segurança Pública de Roraima, Edison Prola, afirma que as investigações já concluíram que a facção paulista está infiltrada no garimpo e não está descartada a ligação de membros do grupo ao ataque sofrido pelos indígenas na semana passada, quando três garimpeiros teriam sido mortos e outras cinco pessoas feridas. No dia seguinte, agentes da PF trocaram tiros com garimpeiros quando foram fazer uma diligência no local.

— Já sabemos que alguns empresários donos de maquinários e dos meios de transporte, de algumas balsas e barrancos, estão associados a esses bandidos.

Após o roubo, os garimpeiros relataram um aumento significativo de pessoas armadas no Rio Uraricoera. Homens com pistolas, espingardas, metralhadoras automáticas e até fuzis AR-15 são vistos com frequência em alguns pontos de garimpos.

O MPF sustenta que o tráfico de armas e drogas na região é facilitado por encontrar uma logística aérea e fluvial sofisticada para extração de ouro e para o transporte de “mercadorias”.

Fonte: O Globo

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