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Por Philipe Alexandre e Rodrigo Ribeiro, Boletim Geocorrente

No dia 17 de junho deste ano, a China lançou seu terceiro porta-aviões, batizado de Type 003 Fujian. Embora ainda sejam necessários alguns anos para que o navio esteja pronto para combate, sua construção representa um importante marco estratégico e tecnológico para a Marinha do Exército de Libertação Popular (PLAN, na sigla em inglês) e para o equilíbrio de poder na Ásia do Indo-Pacífico. Nesse sentido, de que maneiras o lançamento do Fujian contribui para as ambições estratégicas da China no sistema internacional?

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Medindo 316 metros de comprimento e com propulsão convencional, o Fujian possui um deslocamento de 80 mil toneladas, sendo o maior navio já construído por um país asiático. É o primeiro porta-aviões chinês a utilizar o sistema de catapultas eletromagnéticas para o lançamento de aeronaves, representando um grande salto tecnológico em relação aos demais navios-aeródromo do país, que utilizam um sistema de rampas, consideravelmente menos eficiente. O novo sistema exigirá uma série de testes e adestramentos para sua plena operação, assim, é previsto que o Fujian entre em operação apenas em 2025.

Apesar dos atrasos em relação aos relatórios iniciais, que previam o lançamento do Fujian em 2021, o tempo de construção do navio demonstra a celeridade da China em estabelecer uma Marinha de Águas Azuis, como dita sua estratégia marítima mais recente. Através da Iniciativa do Cinturão e Rota, uma rede de infraestrutura global tem se formado em direção à Europa, África e América. Pequim precisa desenvolver uma Marinha para assegurar suas linhas de comunicação marítimas no Mar do Sul da China, no Oceano Índico e, cada vez mais, no Atlântico.

Portanto, o aumento da capacidade de dissuasão da Marinha chinesa é, sem dúvidas, o aspecto mais importante associado ao lançamento do Fujian. Contudo, é importante destacar também o salto tecnológico e a capacitação da PLAN para operações navais mais complexas em razão do novo porta-aviões. Além disso, ao finalizar a construção de um meio naval tão complexo em um prazo relativamente próximo àquele previsto em seus documentos oficiais, a China demonstra forte comprometimento não só com a sua Estratégia marítima, mas com o objetivo de estabelecer uma força militar que a permita alcançar os seus interesses geopolíticos. Deve-se, portanto, observar como os demais atores do sistema internacional, principalmente os Estados Unidos, responderão ao dilema: desafio estratégico versus interdependência econômica.

Fonte: Boletim Geocorrente (Nº 165 – 06JUL2022).

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DOI 10.21544/2446-7014.n165.p14.