A reunião plenária da ABIMDE foi realizada em formato híbrido para empresas associadas e convidados na manhã de terça-feira, 02 de maio. O evento, que marcou a inauguração da nova sede da entidade em São Paulo, contou com uma apresentação da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para a Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS). Outro tema de destaque da reunião foi o anúncio da criação de comitês temáticos e a apresentação de novas associadas.

As boas-vindas aos participantes foram feitas online pelo Presidente do Conselho Diretor, Dr Roberto Gallo, que ao fazer a abertura cumprimentou as autoridades presentes e ressaltou a presença da Diretora da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Perpétua Almeida.

Ao cumprimentar o palestrante, o Presidente-Executivo da ABIMDE, general Aderico Mattioli, fez uma breve ambientação enfatizando a importância da inovação para o segmento da Defesa, ressaltando a diversidade de transversalidade como um grande complexo de desenvolvimento.

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Por oportuno também falou sobre a sede recém-inaugurada e a disponibilização da estrutura para todas as associadas e entidades parceiras. O espaço inclui sala de reuniões e auditório.

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Apresentação FINEP

Na sequência, o engenheiro William Rospendowski, Superintendente de Inovação do FINEP, empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), falou sobre a visão estratégica de negócio da entidade, a transformação por meio da inovação e as oportunidades de apoio para a BIDS.

A missão da FINEP é promover o desenvolvimento econômico e social do país pelo fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas. Após partilhar características da entidade, Rospendowski mencionou os mecanismos de apoio da FINEP e seus instrumentos e modelo de aplicação previstos no orçamento de R$ 9,6 bi, resultado da aprovação do Projeto de Lei do Congresso Nacional – PLN 01/2023, no âmbito do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

O superintendente explicou que o setor de Defesa pode encontrar meios de financiamento de projetos com respaldo no setor espacial, aeronáutico e transversal. Ele também disse que um projeto deve atender, ao menos, quatro necessidades. São elas: infraestrutura de Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) militares, projetos de pesquisa baseados em TRLs (do inglês, Technology Readiness Levels) baixos e de alta singularidade, subvenções para atração de novas empresas e para resolução de desafios.

Segundo Rospendowski, a participação de projetos deve ser pensada para ações correlatas à Defesa, por exemplo, segurança pública, materiais especiais e cooperação internacional, e deve estar alinhada com a agenda de reindustrialização. “Nosso objetivo é trabalhar para que estas políticas se integrem. Fazendo escolhas e mantendo a capacitação. É importante que as empresas que vão exportar procurem a FINEP; projetos estruturantes têm funcionado na área espacial, aeronáutica, de saúde e de segurança pública; que é um caminho de maior capilaridade”, concluiu.

Em seguida o Superintendente ficou à disposição para questionamentos e reflexões. Uma das participações foi feita pelo professor Dr Marcos José Barbieri Ferreira, integrante do Conselho Consultivo da ABIMDE, que propôs à FINEP a realização de projetos estruturantes em grandes missões, como por exemplo, a construção de um satélite geoestacionário, que envolveria uma empresa contratante principal com um mecanismo para agrupar outras que produzissem os insumos. “Isto daria a possibilidade de empresas desenvolverem a bateria, a câmera ou determinados componentes, ainda que pequenos, mas com a missão final do satélite”, esclareceu.

Ainda sobre investimentos, o Presidente do Conselho Diretor destacou dados sobre o orçamento de aquisição em Defesa nos últimos 10 anos, incluindo aqueles realizados no exterior. “A empresa que mira no setor de Defesa e investe em inovação precisa fazer negócios com o mercado externo, entendendo que não há uma solução rápida para distribuição destas tecnologias no país. Precisamos duplicar as forças na exportação quando falamos de investimentos para inovação”, sugeriu o Dr Gallo.

Como representante de uma empresa financiadora, como é o caso da FINEP, o engenheiro William Rospendowski considerou os pontos levantados como grandes desafios que excedem a competência da entidade. Exemplificando um aspecto positivo de oportunidade sugeriu que as empresas inovadoras busquem recursos na área espacial. “O projeto está sendo feito, a FINEP está financiando, e foi feito por uma main conctrator, que é a empresa proponente e as demais são executoras e todas elas são beneficiadas”. Ele recomendou, ainda, que as empresas pensem em futuro, em projetos para os próximos três ou quatro anos.

Estruturação de Comitês Temáticos

Com anuência do Conselho Diretor, o general Mattioli falou sobre a implementação de comitês temáticos com a finalidade de melhorar a interlocução da ABIMDE com outros setores da sociedade. Inicialmente será priorizada a estruturação de dois comitês, o de Segurança, setor altamente demandante que garante mercado, exportação, postos de trabalho e o emprego das tecnologias adquiridas, e o outro Marcos Legais e Regulatórios, que são vitais para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa e Segurança.

Ele incentivou que as empresas que quiserem fazer parte destes comitês encaminhem o nome dos representantes. Uma vez estruturado, o Comitê poderá contar com entidades parceiras e pessoas de notório conhecimento.

Prospecção Mercadológica

O Diretor-Executivo da ABIMDE, Coronel Armando Lemos, atualizou informações sobre a implantação do Observatório da Indústria de Defesa e Segurança e antecipou a contratação de uma empresa indiana que vai apoiar as associadas com informações mercadológicas.

Esta empresa especializada fará um levantamento para prospecção de licitações, já que a maioria das associadas faz vendas para o Brasil e o exterior.  “Ela vai entregar, para cada área do setor, as licitações de interesse de cada empresa. Este sistema vai trazer análises que vão permitir decisões mais acertadas com base em informações estratégicas”, descreveu.

O Diretor-Executivo também explicou que o Observatório (da Indústria de Defesa e Segurança) vai gerar inteligência comercial e análise de cenários para que as empresas conheçam as tecnologias emergentes em cada área e o que há de mais novo no mundo. A ABIMDE está montando um núcleo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para trabalhar, especificamente, a Indústria de Defesa e Segurança.

“Neste observatório trabalhamos com inteligência artificial, robôs de busca e consultas em bases de dados, tanto abertas quanto pagas, nacionais e internacionais. Teremos uma grande base de análise com informação estratégica, isto, em um curto espaço de tempo, estará disponível para nossas associadas. É um avanço muito grande”, classificou.

Sobre a prospecção de oportunidades na prática, o Diretor da empresa Avionics, João Batista Vernini, Vice-Presidente da Associação, deu seu testemunho com relação ao suporte recebido do Ministério da Defesa, por meio dos Adidos Militares, e do Ministério de Relações Exteriores (MRE). “A nossa experiência com os adidos sempre foi positiva, pois esta é uma atividade constitucional e efetiva. Nesta prospecção temos usado o apoio das Adidâncias do Chile, dos Emirados Árabes, da Arábia Saudita, do Egito e de Portugal. Recomendo que todos utilizem ou procurem entender melhor como funciona este processo”, aconselhou Vernini.