Energia nuclear no Brasil atinge nova marca mundial

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Photo of Nuclear Power Station in Angra dos Reis, Brazil

A usina nuclear de Angra 2, localizada em Angra dos Reis, RJ, com potência instalada de 1.350 MW, alcançou uma marca histórica em 2020. De acordo com o Relatório Anual do Ministério de Minas e Energia, e apontado como destaque pelo ministro Bento Albuquerque em recente declaração, Angra 2 operou durante 13 meses consecutivos com um fator de capacidade de 99,43%, estabelecendo uma nova marca mundial em  termos  de  tempo  de  operação  contínua  antes  da  parada  programada  para  troca  de combustível, e trabalhando, durante todo este tempo, praticamente na potência máxima, 24 horas  por  dia.

Estes  dados  atestam  tanto  a  segurança  operacional  dos  reatores  nucleares brasileiros, quanto a produtividade dos elementos combustíveis, projetados e fabricados pela empresa estatal brasileira INB – Indústrias Nucleares do Brasil S.A. Trata-se de um feito que merece ser divulgado junto à sociedade brasileira, principalmente neste momento em que se está discutindo a manutenção da bandeira vermelha para a tarifa de energia elétrica.

Além disso, o risco iminente de apagão, com o consequente acionamento das térmicas a gás e a óleo com custos operacionais muito mais elevados, caso a situação hídrica do País  continue  no  atual  estado  de  escassez  de  chuvas,  com  comprometimento  de  nossa capacidade de geração hidrelétrica. Tudo isso contribui ainda mais para elevar nossa tarifa de energia elétrica, como se não bastasse o Brasil já ter a triste marca de segunda maior tarifa residencial do planeta.

Em  um  sistema  híbrido  de  geração  como  o  do  Brasil, com  predominância  hidrelétrica,  a complementariedade das fontes de geração é um fator de segurança energética fundamental. O Brasil tem diversificado sua matriz de geração de energia elétrica, explorando, cada vez mais e melhor, o seu potencial de energia renovável, com parques eólicos, hidrelétricas, usinas de biomassa e instalações de geração solar, quer de forma centralizada ou descentralizada com os smart grids. A presença da energia nuclear nesta matriz fornece a segurança energética que o sistema elétrico necessita, ao mesmo tempo em que contribui para reduzir as emissões de CO2e baixar os custos de geração térmica.

É importante destacar a correlação direta entre energia elétrica e desenvolvimento. O Brasil, infelizmente, tem um baixo índice de consumo per capita: 2.500 kWh/hab/ano, precisando, assim, de grandes quantidades de energia para poder se desenvolver de fato. Uma política de Estado, para o desenvolvimento do Brasil, passa necessariamente por uma produção maciça de eletricidade, em larga escala, na qual a fonte nuclear tem um grande e importante papel a desempenhar.

No  caso  do  Brasil,  estudos  apontam  que  uma  composição  da  ordem  de  70%  de  energia renovável,  complementada  com  30%  de  regulável  (geração  térmica),  seria  suficiente  para garantir a segurança energética do País, otimizando a composição de custos e maximizando a produção, o que resulta na economicidade para o sistema e estabilidade no valor da tarifa elétrica.

Neste sentido, o Ministério de Minas e Energia acaba de lançar o plano estratégico do setor energético para o horizonte 2050 (PNE 2050), com a recomendação de construção de mais 10.000 MW de energia nuclear no Brasil, além de Angra 3, com entrada em operação prevista para meados da década que ora se inicia. Assim, a decisão já está tomada; necessário se faz que os diversos players assumam então seu papel no trabalho, urgente, de viabilização das novas centrais nucleares brasileiras.

Para  tanto,  vale  lembrar  que  o  Brasil  possui  uma  reserva  de  urânio  suficiente  para  o abastecimento  de  um  parque  nucleoelétrico  de  12  usinas  nucleares,  de  modo  a  garantir  a segurança energética no fornecimento de eletricidade. Este parque gerador corresponderia a um  percentual  de  apenas  10%  no  sistema  nacional,  o que  seria  equivalente  a  uma  usina hidrelétrica  do  porte  de  Itaipu.

Além  disso,  o  País  domina  integralmente  todo  o  ciclo  do combustível nuclear, a partir da mineração de urânio, a fabricação de elementos combustíveis e a sua utilização nas usinas nucleoelétricas.Deste modo, o Brasil não pode se dar ao luxo de abrir mão de uma fonte energética com tal grau de  segurança  operacional  e  de  garantia  de  fornecimento,  com  economicidade  e  impactos ambientais  próximos  de  zero.  Portanto,  é  importante  que  o  exemplo  de  Angra  2  sirva  de referência para a sociedade brasileira se orgulhar da capacitação nacional em geração nuclear, sobretudo  neste  momento  de  expansão,  tão  necessária  para  o  desenvolvimento  do  País, subsidiando uma decisão técnica, madura e consciente sobre o tema.

Rogério Arcuri Filho
Presidente da ABEN – Associação Brasileira de Energia Nuclear

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