Historicamente, a meteorologia já foi decisiva em muitos cenários de conflitos. Foi na Primeira Guerra Mundial que essa ferramenta passou a ser considerada como estratégia militar, e as previsões do tempo a serem tidas como informações secretas. Na época, foram suspensas as transmissões de previsões por rádio e a sua publicação em jornais.

A meteorologia tem um papel fundamental no planejamento de uma operação de guerra. No Exercício Conjunto Tápio 2022, o Centro Meteorológico Militar (CMM) proporciona às tripulações aprontos meteorológicos das áreas de operação. Uma equipe de meteorologistas fica alocada no CMM para fornecer as informações meteorológicas atualizadas. Além disso, disponibiliza briefings diários e atualizados de hora em hora.

Entre as tarefas de responsabilidade da equipe no exercício estão: fornecer informações meteorológicas atualizadas da área em que as aeronaves irão executar a missão; condições meteorológicas previstas para o aeródromo base e alternativas, quando no regresso; vento nos níveis a serem voados (FL050, FL100, FL180, FL300 e FL390); previsão de formação de gelo e turbulências que afetem as operações e prognósticos para as próximas 24 e 48 horas.

As mudanças das condições do tempo em Campo Grande (MS), onde acontece o Exercício, têm influenciado nas estratégias da guerra simulada. Mas, tudo colabora com o adestramento dos militares para as possíveis situações reais. Afinal, não é possível controlar o tempo, mas com informações precisas pode-se tirar vantagens das condições climáticas no cenário de guerra.

“Em um exercício desse porte, a meteorologia é fundamental. Qualquer mudança do tempo influencia na dinâmica do exercício, os pacotes que estavam planejados para sair, não saem, atrasam, e tudo isso requer um novo planejamento, ou seja, a meteorologia impacta diretamente na ação”, destaca o Capitão Especialista em Meteorologia Vicente Batista Rangel, que é o previsor meteorológico do Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica (CIMAER), escalado para o EXCON Tápio 2022.

CIMAER

O Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica é responsável pela prestação do Serviço Meteorológico Aeronáutico de Vigilância e Previsão no âmbito do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), com vistas à segurança e eficiência do tráfego aéreo.

Instalado nas proximidades da Base Aérea do Galeão (BAGL), na Ilha do Governador, Rio de Janeiro (RJ), o CIMAER é a unidade mais recente do SISCEAB. Inaugurado, no dia 23 de março de 2019, foi ativado pela Portaria Nº 579/GC3 de 12 de abril de 2019.

Subordinado ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), o CIMAER provê segurança, economia e fluidez no atendimento à navegação aérea, ao viabilizar a otimização de recursos e o aumento da eficiência da prestação do serviço de Meteorologia Aeronáutica.

História

Na Segunda Guerra Mundial, a meteorologia militar atingiu a maturidade. Muitos meteorologistas foram transferidos para os quadros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Desde então, nenhum comandante planejava a sua estratégia de ataque ou defesa sem primeiro consultar os seus meteorologistas.

O caso mais emblemático em que a meteorologia foi determinante é conhecido como Dia “D”. Uma operação militar que aconteceu em 6 de junho de 1944 durante a Segunda Guerra Mundial, em que os Aliados organizaram um grande esforço militar e desembarcaram suas tropas na Normandia, região do norte da França dominada pelos nazistas. O Dia D fez parte da Operação Overlord e foi responsável por aumentar o desgaste dos alemães durante o conflito. Foi a previsão do tempo assertiva que possibilitou o desembarque aliado na Normandia no dia mais favorável para a vitória.

Confira aqui um bate-papo da equipe do CECOMSAER com o Capitão Rangel, Previsor Meteorológico da EXCON Tápio 2022

Fotos: Sargento Bianca Viol / CECOMSAER

Marcelo Barros, com informações e imagens da Agência Força Aérea
Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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