blank

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918), ou “Primeira Grande Guerra”, como também é conhecida, ficou marcada como um dos mais trágicos acontecimentos da história da humanidade. Tendo sido o primeiro conflito armado em escala global, tomou vultosa proporção, envolvendo nações de todos os continentes e deixando como saldo cerca de 9 milhões de mortos.

O assassinato do Arquiduque Francisco Ferdinando, príncipe herdeiro do Império Austro- Húngaro, ocorrido em 28 de junho de 1914, em Sarajevo, capital da Bósnia, foi o estopim que desencadeou um intenso movimento de alianças político-militares, culminando com declarações de guerra entre as forças da Tríplice Aliança, formada pelos impérios Alemão, Austro-Húngaro e Turco-Otomano e o reino da Itália, e as forças da Tríplice Entente, formada pelo Reino Unido, os impérios da Rússia e do Japão e a República da França.

Nos siga no Instagram, Telegram ou no Whatsapp e fique atualizado com as últimas notícias de nossas forças armadas e indústria da defesa.

Até meados de 1917, o Brasil ainda mantinha uma atitude de neutralidade. O governo, contudo, seria forçado a modificar sua posição devido ao afundamento de quatro navios mercantes nacionais por submarinos alemães, na Europa, resultante da guerra submarina irrestrita empreendida pela estratégia do Almirante Von Tirpitz. Instado pelos torpedeamentos dos navios mercantes “Paraná”, “Tijuca”, “Lapa” e “Macau”, o Governo de Venceslau Brás, com o respaldo do Congresso Nacional, reconheceu e proclamou o estado de beligerância contra o Império Alemão, em 26 de outubro de 1917, por meio do Decreto no. 3.361.

Destarte, em cumprimento aos compromissos assumidos com a Conferência Interaliada, reunida em Paris entre 20 de novembro e 3 de dezembro de 1917, o Governo brasileiro empenhou-se em três grandes esforços de atuação: enviar uma missão médica composta de médicos-cirurgiões civis e militares para atuar em hospitais de campanha do Teatro de Operações europeu; enviar um contingente de oficiais aviadores, da Marinha e do Exército, para integrar a recém-criada Força Aérea Britânica; e, por fim, empregar parte da Esquadra no Teatro de Operações do Atlântico, fundamentalmente atuando na guerra antissubmarino, organizando a Divisão Naval em Operações de Guerra (DNOG).

blank

O Aviso Ministerial no 501, de 30 de janeiro de 1918, assinado pelo Almirante ALEXANDRINO FARIA DE ALENCAR, então Ministro da Marinha, criou a DNOG, composta pelos Cruzadores “Rio Grande do Sul” e “Bahia”, pelos Contratorpedeiros “Piauí”, “Rio Grande do Norte”, “Paraíba” e “Santa Catarina”, pelo Cruzador-Auxiliar “Belmonte” e pelo Rebocador “Laurindo Pitta”, este último navegando até hoje pela Baía de Guanabara. Esta Divisão Naval foi incumbida de neutralizar a ação dos submarinos inimigos na área marítima compreendida entre a cidade de Dacar, na costa africana, o Arquipélago de São Vicente, no Atlântico, e Gibraltar, na entrada do Mar Mediterrâneo. Para comandá-la, foi designado o Contra-Almirante PEDRO MAX FERNANDO DE FRONTIN, oficial que conjugava prestígio e grande experiência profissional.

blank

A guerra no mar, para o Brasil, teve início no dia 07 de maio de 1918, quando da partida das primeiras unidades da DNOG do porto do Rio de Janeiro, com destino final a Dacar. O seu batismo de fogo ocorreu em 25 de agosto, às vésperas da chegada àquele porto, quando o Contratorpedeiro “Rio Grande do Norte” efetuou exitoso ataque contra um submarino inimigo. Por outro lado, cabe ressaltar que durante o conflito, houve o recrudescimento dos ataques ao nosso tráfego marítimo, elevando o número de vítimas fatais com os afundamentos dos navios mercantes “Guaíba”, “Acari” e “Taquari”.

blank

Os desafios operacionais e logísticos enfrentados pela DNOG, como a permanência em um Teatro de Operações distante do País, a carência de sobressalentes e a dificuldade para prover o abastecimento de combustível aos seus navios, não impediram que aquela destemida Força Naval cumprisse sua missão com eficiência, deixando um legado de abnegação e superação que inspira nossos marinheiros e fuzileiros navais desde então.

Não obstante a complexidade enfrentada pela DNOG em meio aos reveses da guerra, que posteriormente contribuíram para fundamentar a adoção de políticas institucionais que reorganizaram a Marinha do Brasil, os seus aguerridos militares ainda foram vítimas da pandemia conhecida, à época, como a “gripe espanhola”, que tirou a vida de 156 militares (cerca de 10% das tripulações), e imobilizou aquela Força Naval por dois meses no porto de Dacar. De volta ao mar, ainda com as tripulações reduzidas e fisicamente debilitadas, a DNOG retomou a sua missão de patrulhamento, demonstrando o fogo sagrado do marinheiro brasileiro e a determinação do Almirante FRONTIN no cumprimento do dever, valores que nos encorajam a enfrentar com serenidade e firmeza a pandemia da COVID-19, que hoje acomete a nossa geração.

No dia 11 de novembro de 1918, com os navios brasileiros fundeados em Gibraltar, foi assinado o Armistício da Grande Guerra e encerrada a participação brasileira no Teatro de Operações europeu.

blank

Decorridos 102 anos dessa efeméride, enaltecemos com reverência, orgulho e gratidão a memória do ilustre Almirante FRONTIN e de seus heroicos e valentes marinheiros, que dedicaram suas vidas pelo nosso Brasil e mantiveram incólumes a honra e a dignidade da Nação brasileira. Inspirados nas lições aprendidas com a epopeia vivida pela DNOG, os marinheiros, fuzileiros e servidores civis de hoje, dedicados e competentes homens e mulheres, renovam o firme propósito de manter nossa invicta Marinha de Tamandaré adestrada e pronta para defender a soberania e a liberdade da nossa Pátria.

Viva a Divisão Naval em Operações de Guerra!
Viva a Marinha!
Tudo pela Pátria!

ALIPIO JORGE RODRIGUES DA SILVA
Almirante de Esquadra
Comandante de Operações Navais