Após uma semana de intensos treinamentos, terminou ontem (26), o maior adestramento nuclear, biológico, químico e radiológico realizado na região de Iperó (SP). O exercício foi coordenado pelo Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) e pelo Centro de Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica da Marinha do Brasil (CdefNBQR-MB) e contou com a participação de diversas unidades da Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE) e da Agência Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (AgNSNQ), que utilizou o Sistema do Centro de Acompanhamento de Respostas a Emergência Nucleares e Radiológicas Navais (SISCARE), possibilitando o acompanhamento em tempo real de todos os eventos realizados.

A sinergia gerada pela atuação de todas as organizações envolvidas permitiu que fosse plenamente atingido o objetivo de aprimorar a capacidade de resposta integrada a emergências no Centro Experimental Aramar (CEA), bem como reuniu os diferentes níveis e setores do Sistema de Defesa NBQR da MB, em prol da manutenção da segurança do Complexo em que são desenvolvidas as etapas do Programa Nuclear da Marinha (PNM).

O PNM é desenvolvido por civis e militares das diferentes organizações da Diretoria Geral do Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM). Assim, a semana foi marcada por uma forte interação entre os trabalhadores civis do CEA e os fuzileiros navais, que atuaram juntos em uma série de eventos planejados. Participaram do treinamento 600 militares de diversos setores da MB – batalhões de Defesa NBQR do Rio de Janeiro e de Aramar, Unidade Médica Expedicionária da Marinha (UMEM), Batalhão de Blindados de Fuzileiros Navais (BtlBldFuzNav),  Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (BtlOpEspFuzNav), Comando Naval de Operações Especiais (CoNavOpEsp), entre outros – e cerca de 300 funcionários civis de diversas áreas – operações, engenharia de segurança e todos que compõem o Plano de Emergência Geral do Complexo.

Para o Diretor do CTMSP, Vice-Almirante (Engenheiro Naval) Guilherme Dionizio Alves, o exercício marcou uma importante mudança de paradigmas no que diz respeito à segurança e proteção das pessoas e instalações do CEA “a participação do CFN é essencial para tratarmos a questão do ‘Safety and Security’. Esse evento mostrou que é possível operarmos de maneira bem-sucedida com diversos setores em prol do PNM”, destaca.

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Simulações de invasões a laboratórios e usinas com materiais NBQR do Complexo – Imagem: 1SG (FN-ET) Rocha

Essa integração demandou coordenação entre todos os envolvidos, desde a fase de planejamento até a sua execução, reunindo as práticas já existentes no CTMSP com as especificidades da atuação da FFE. De acordo com o Comandante do CDefNBQR-MB, Capitão de Mar e Guerra (Fuzileiro Naval) Flavio Lamego Pascoal, “a ativação do Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais permitiu a integração das capacidades de resposta disponíveis de ambos. Fato que proporcionou sinergia e possibilitou o aprimoramento de procedimentos”.

Segundo o Mestre em Tecnologia Nuclear Ricardo Gonçalves Gomide, assessor para o ciclo de combustível nuclear e coordenador do Plano de Emergência Local de Aramar, que trabalha há mais de 35 anos no Projeto Nuclear da MB, “culturas operacionais distintas trabalharam em harmonia e fizeram exercícios complexos sem nenhum incidente ou conflito, mostrando assim suas capacidades técnicas”. Para Gomide, a troca de experiências foi o grande ganho do exercício “o aprendizado foi geral, nós (civis) aprendemos técnicas, mecanismos, dispositivos e infraestruturas de combate a emergências, assim como os militares da FFE verificaram os recursos disponíveis em Aramar, de forma operacional e não apenas como uma visita”.

Militares dos batalhões de Defesa NBQR de Aramar e do Rio de Janeiro realizam descontaminação

Foco na preparação para possíveis emergências no Complexo Experimental de Aramar

No CEA funcionam sete unidades de operação, dentre eles o Laboratório de Geração Nucleoelétrica (LABGENE) – concebido como um protótipo em terra dos sistemas de propulsão que serão instalados no futuro Submarino Convencional com Propulsão Nuclear Brasileiro – e a Usina de Hexafluoreto de Urânio (USEXA), onde é convertido o minério beneficiado de urânio (yellow cake) em hexafluoreto de urânio (UF6) gasoso, que é uma das principais matérias-primas para a produção do combustível nuclear.

Os tipos de emergências que podem ocorrer no Complexo vão desde as industriais (vazamentos de substâncias químicas) até as radiológicas (disseminação de material radioativo) e nucleares (fissões nucleares). Durante o exercício, foram simulados cinco grandes eventos que possibilitaram uma gama de treinamentos com foco na segurança da área, de pessoal e instalações. Assim, foram planejadas ações de patrulhamento ostensivo, a pé e com viaturas blindadas PIRANHA IIIC; controle de distúrbios com o emprego de armamentos menos letais; operações de vigilância e reconhecimento com aeronaves remotamente pilotadas (ARP); e planejamento de defesa antiaérea com reconhecimento de posições de tiro para os mísseis superfície-ar.

Entrega de amostras para análise do Laboratório Móvel do Centro de Defesa NBQR – Imagem: 1SG (FN-EG) Allan Theodoro

Equipes especializadas em Desativação de Artefatos Explosivos (DAE), do Batalhão de Engenharia de Fuzileiros Navais, realizaram operações com o apoio do robô de desativação operado remotamente “Rover Defender”. A UMEM estabeleceu uma Unidade Avançada de Trauma (UAT), conectada via satélite ao Hospital Naval Marcílio Dias, pelo recurso da telemedicina. Cães de guerra foram empregados em atividades de polícia e de detecção de explosivos e entorpecentes. Análises de amostras foram coletadas e enviadas ao Laboratório Móvel do CDefNBQR-MB.

O CoNavOpEsp estabeleceu um destacamento de Defesa Cibernética e o BtlOpEspFuzNav desenvolveu ações de retomada de instalações e resgate de reféns com o Grupo Especial de Retomada e Resgate.

O Batalhão Logístico de Fuzileiros Navais e a Base de Fuzileiros Navais da Ilha das Flores asseguraram o deslocamento e a montagem de base expedicionária para 500 militares e cerca de 50 veículos trazidos do Rio de Janeiro.

Por Segundo-Tenente (RM2-T) Thaís Cerqueira

Marcelo Barros, com informações da Marinha do Brasil
Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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