A soberania marítima brasileira e a ciência oceânica deram um grande passo adiante com a recente conclusão da Comissão “Comitê Gestor III” pelo Navio de Pesquisa Hidroceanográfica (NPqHo) “Vital de Oliveira”. Esta missão, ao longo da Cadeia Vitória-Trindade (CVT), representa um marco importante no estudo dos processos físicos, geoquímicos e biológicos nos montes submarinos vulcânicos entre Vitória (ES) e a Ilha de Trindade, vital para a compreensão da diversidade biológica e a manutenção da soberania brasileira na chamada Amazônia Azul.

A Importância Estratégica da Zona Econômica Exclusiva

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Área que compreende a Cadeia Vitória-Trindade, ao largo dos Estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. Imagem: FRAINER, GUILHERME; PEREIRA, M. J. Avifauna da Cadeia Vitória-Trindade: História, diversidade e conservação – Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Desde a introdução do conceito de Zona Econômica Exclusiva (ZEE) pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) em 1994, o Brasil tem enfatizado a importância da pesquisa e soberania em suas águas. Com 5,7 milhões de km² de ZEE, o Brasil assegura não apenas o direito de explorar recursos naturais, mas também de conduzir pesquisas científicas e preservar o meio marinho. A Comissão “Comitê Gestor III” é um exemplo prático dessa soberania em ação, promovendo o conhecimento e a conservação da biodiversidade marinha.

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Descobertas e Significado da Missão

O NPqHo “Vital de Oliveira” desempenhou um papel crucial, coletando amostras de água e microrganismos. Essas coletas possibilitarão a produção de artigos científicos relevantes, contribuindo significativamente para o conhecimento científico do Brasil. O Capitão de Fragata Edno Vieira da Rosa Neto destacou a singularidade da biodiversidade encontrada na região, diferente daquela da costa continental devido à presença da cordilheira submarina. Estes montes submarinos são fundamentais para a compreensão das cadeias alimentares complexas e das interações biológicas entre o ambiente costeiro e o oceânico.

Colaboração Multidisciplinar e Futuras Missões

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Pesquisadora realiza análise laboratorial em amostras coletadas durante a Comissão. Foto: Marinha do Brasil.

A colaboração entre a Marinha do Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), universidades e outras instituições ressalta a importância da tríplice hélice (forças armadas, indústria e academia) para o avanço da pesquisa científica no Brasil. Equipado com tecnologia de ponta e laboratórios avançados, o NPqHo “Vital de Oliveira” representa uma das plataformas móveis de pesquisa mais modernas do mundo. A próxima missão, prevista para dezembro, enfatizará a pesquisa na elevação do Rio Grande, reforçando a presença e soberania brasileira na Amazônia Azul.

Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Universidade Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).