Army Sgt. Neysa Huertas Quinones

O Justified Accord é um exercício militar focado na capacidade e na interoperabilidade dos países africanos em apoio às operações de manutenção da paz sob a égide das Nações Unidas e da União Africana. Ele busca avaliar as habilidades dos países participantes na condução de operações de manutenção da paz e melhorar as relações bilaterais e regionais entre as nações envolvidas.

O exercício também tem como foco a construção de parcerias entre o Exército dos EUA na África e as forças militares da África Oriental, sendo projetado para incrementar a capacidade de resposta às ameaças à segurança regional em razão de ações de organizações extremistas e violentas.

Desde 2017, o Justified Accord alterna-se, anualmente, ora como um exercício de treinamento de campo, ora como um exercício de simulação, sendo o Comando Africano dos EUA (United States Africa Command) e a Força-Tarefa da Europa Meridional do Exército dos EUA para a África (Southern European Task Force-Africa) responsáveis pela condução da atividade. O exercício conjunto visa permitir o desenvolvimento de operações futuras, manter o acesso estratégico e construir a capacidade dos parceiros para diminuir influências, agressões e ações contra a soberania dos países africanos.

Em 2018, a atividade ocorreu na Uganda e, em 2019, foi sediada na Etiópia. Nessas duas edições, o Justified Accord reuniu parceiros militares da África Oriental, militares dos EUA, aliados ocidentais e organizações internacionais a fim de realizar planejamentos e coordenações de forma conjunta. Da mesma forma, o exercício teve como foco a melhoria da capacidade dos participantes para operações de manutenção da paz e a preparação de recursos humanos, tendo sido uma oportunidade ímpar para o emprego de procedimentos relativos à Missão da União Africana na Somália (AMISOM) em tempos de instabilidade e de crises.

No corrente ano, a atividade, que ocorreu no período de 28 de fevereiro a 18 de março, integrou mais de 20 países que se reuniram no Quênia com o propósito de trocar informações e de focar em operações de manutenção da paz. No total, o exercício contou com a participação de cerca de 800 pessoas, dentre integrantes dos EUA, de interagências, da União Africana e da OTAN. O Justified Accord 22 consistiu em um exercício multicomponente e multinacional com o objetivo de aumentar a prontidão e apoiar a paz duradoura no continente africano. O cenário fictício foi voltado para a problemática vigente na Somália, país assolado por uma grave crise política e econômica, potencializada por ações do grupo terrorista islâmico Al-Shabaab.

O Justified Accord 22 foi desenvolvido como um exercício multinacional de treinamento de campo, de posto de comando e de treinamento médico a fim de aprimorar as operações de manutenção da paz na região. Por meio da cooperação constante e do trabalho em equipe, os países participantes realizaram um exercício bem-sucedido, aprendendo e trocando informações para as melhores práticas no futuro.

O Brasil marcou sua presença no Justified Accord 22 após receber um convite dos EUA para observar o exercício. A participação brasileira foi uma excelente oportunidade para a troca de experiências com os militares que atuaram na organização das atividades, bem como com os demais observadores e integrantes de diversas nações e organismos.

O País passou a ser considerado um aliado preferencial extra OTAN no ano de 2019 . O status permite a compra de armamentos e de tecnologia militar, assim como o aprofundamento da cooperação bilateral com os EUA. A medida também facilitou o aumento da colaboração em soluções de defesa e a intensificação de intercâmbios militares entre os dois países. Dessa forma, ao aceitar o convite americano para a participação no Justified Accord, o Brasil reforça seus laços diplomáticos com os EUA, contribuindo para uma maior interação entre as duas nações.

O entorno estratégico do Brasil compreende a América do Sul, a Antártida, o Atlântico Sul e os países da costa oeste da África. Uma vez que grande parte dos países africanos participantes do Justified Accord 22 faz parte do entorno estratégico brasileiro, a presença do Brasil no exercício foi uma grande oportunidade para confirmar os laços de cooperação na área de defesa com aqueles países. Outrossim, a experiência e os conhecimentos adquiridos no Justified Accord 22 foram de grande relevância para o Brasil, pois permitiu manter recursos humanos aptos a operar em um ambiente multinacional e em condições de atender a possíveis demandas, tendo como objetivo maior a paz e a segurança mundial.

Por fim, houve a ampliação da presença internacional da Instituição, em alinhamento às Diretrizes do Comandante do Exército. Desta forma, o País confirmou, mais uma vez, sua importância no concerto das nações, contribuindo para sua projeção e maior inserção no contexto global.

Autor: Maj Armando Alves de Oliveira Souza

Marcelo Barros, com informações e imagens do Exército Brasileiro
Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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