Setor agropecuário aposta na tecnologia para crescer ainda mais em 2021

Soluções tecnológicas propõem novas formas de enfrentar as dificuldades e demandas do setor

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O papel do agronegócio no Brasil sempre foi de destaque. Em 2020, o seu PIB teve uma expansão de 24,31% e chegou a representar mais de um quarto do valor do PIB nacional. Ainda assim, o segmento possui grande potencial de crescimento, apenas focando no aumento de sua produtividade. A principal solução para esse desafio reside na adoção de tecnologia, adicionalmente às boas práticas de gestão.

De forma ampla, a tecnologia no setor agropecuário envolve todas as etapas de trabalho, do preparo do solo até o momento em que os alimentos chegam na gôndola do supermercado. Hoje, o produtor pode contar com diversos recursos para cada uma das fases de produção dos alimentos. Por exemplo, uma fazenda pode utilizar desde um software de gestão que auxilia nas tomadas de decisões, até drones multifuncionais que pulverizam lavouras, coletam dados de produção e registram imagens aéreas.

Jaqueline Casale Pizzolato, diretora Comercial e de Pessoas da empresa de soluções para pecuária, Casale Equipamentos, explica as adversidades que temos em um setor ainda tradicional. “Com a demanda crescente e a exigência da população quanto à qualidade, procedência e responsabilidade ambiental dos alimentos, o setor está passando por um momento de intensa profissionalização. Já olhando para dentro da porteira, os custos de produção têm se elevado exponencialmente, e a tecnologia se torna uma grande aliada para o aumento da rentabilidade dos negócios rurais”.

A diretora explica que, na pecuária brasileira, há uma característica de diversidade de tamanho entre rebanhos, nível de tecnologia adotado e taxa de desfrute, quando comparado a países como Austrália e Estados Unidos. Segundo dados da Embrapa, apenas 30,2% da ocupação de terras no Brasil é destinada à produção de alimentos, sendo que 21,2% do total é destinada às pastagens. “Considerando que temos uma lotação animal média de 1,4 UA/hectare, e se adotarmos um bom manejo de pastagem, utilizando apenas metade da área utilizada hoje, e ainda dobrando sua lotação, estaríamos muito abaixo da lotação utilizada em pastagens com manejo de excelência. A outra metade poderia ainda ser destinada à produção agrícola. Assim, produziríamos muito mais alimento e energia, sem aumentar um hectare de área destinada para produção”, complementa Jaqueline.

O aumento global da demanda por alimento e principalmente pela carne bovina é uma grande oportunidade para o agronegócio brasileiro, principalmente se for agregado valor nas commodities antes de exportá-las. Jaqueline afirma que a indústria brasileira está preparada para prover tecnologia de ponta ao produtor: “Temos disponíveis máquinas de última geração, com sistemas que apoiam a melhoria dos processos, além de AgTechs com desenvolvimentos constantes e uma série de soluções para os desafios que temos pela frente”.

As AgTechs são startups que criam novas tecnologias e inovações para o agronegócio. Algumas delas já vêm sendo incorporadas por empresas tradicionais, que buscam avançar no mesmo ritmo. Alguns conceitos também já fazem parte da realidade do campo, como é o caso da Internet das Coisas (IOT, ou Internet of Things), que se baseia na ideia de conectividade contínua entre equipamentos e dados.

Alguns exemplos interessantes que já estão sendo implementados são:

  • Sensores para coleta de informações sobre solo, lavouras e clima, além de integração IOT e outros recursos automáticos;
  • Softwares para controle de variados aspectos de gestão e produtividade;
  • Equipamentos autônomos, como tratores;
  • Drones multifuncionais;
  • Biotecnologia e aprimoramento genético, que ajudam na resistência das lavouras;
  • Marketplaces e plataformas digitais de comercialização.

São novidades como essas que pavimentam o caminho da agricultura e da pecuária. Nesses segmentos, quem não está adquirindo tecnologias, está produzindo. Mario Casale Neto, Diretor Presidente da empresa, discorre: “A inovação tecnológica na cadeia pecuária caminha a passos largos. Apesar disso, no Brasil, a diferença entre a tecnologia disponível e a utilizada pelo produtor, em geral, ainda é imensa. Felizmente, essa diferença está diminuindo. Temos, como país, que trabalhar para que essa transformação se acelere. Na Casale, vemos como uma evolução necessária investir cada vez mais na aplicação do equipamento, com foco sempre em melhorar o resultado do produtor. Para isso, contamos com um Comitê de Tecnologia e Inovação, cujo objetivo é estudar e desenvolver soluções inteligentes para a otimização do campo”.

Mario também salienta que o conhecimento sobre tais inovações é de suma importância. “O único caminho para a mudança que precisamos é pela educação e treinamento dos profissionais do campo. Por aqui, trabalhamos para que nossos produtos sejam fáceis de operar e para que suas restrições e necessidades de manutenção estejam na ponta da língua do operador. Considero que, sim, é nosso papel inovar em soluções tecnológicas, mas também é nosso papel buscar diferentes estratégias para que o conhecimento seja absorvido e utilizado no campo”, completa Mario. Uma coisa é certa, o produtor que não inovar da porteira para dentro pode vir a enfrentar sérias dificuldades em acompanhar o ritmo do setor daqui para frente.

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