Satélite Capella 2 consegue observar através de paredes dos prédios das grandes cidades Imagem: Capella Space/Divulgação

Uma empresa chamada Capella Space lançou na órbita da Terra, meses atrás, um satélite capaz de fazer imagens em alta resolução de qualquer lugar do mundo, seja dia ou noite, faça chuva ou faça sol. Usando uma tecnologia diferente, o Capella 2 consegue observar através de paredes dos arranha-céus das grandes cidades.

O satélite utiliza um sistema chamado “radar de abertura sintética” (SAR, na sigla em inglês) em vez da tradicional captação de luz ótica. A tecnologia funciona de maneira similar ao sistema de ecolocalização usado por golfinhos e morcegos para navegar no mar e no ar.

Para fazer as imagens, o Capella 2 lança um sinal potente de rádio de 9,65 GHz em direção ao seu alvo e, então, coleta e interpreta o sinal quando ele volta para a atmosfera. A potência do sinal é forte o suficiente para enxergar através de objetos, como paredes de prédios, como se fosse à visão de raio-X do Superman.

“Nessa frequência, as nuvens são muito transparentes. Você pode enxergar através de fumaça, névoa, umidade e neblina. Gerando o seu próprio sinal, é como se você apontasse uma lanterna para ali. Não importa se é dia ou noite”, disse o executivo-chefe Paydam Banazadeh, ex-engenheiro da Nasa, ao site Futurism.

O SAR resolve um dos principais problemas na observação da superfície da Terra. De acordo com a empresa, cerca de metade do planeta está no escuro e a outra metade está nublada o tempo todo. “Quando você combina essas coisas juntas, 75% da Terra está invisível para você”, explicou Banazadeh.

Além da tecnologia inovadora, a empresa Capella lançou uma plataforma que permite que consumidores interessados peçam em poucos cliques imagens de qualquer lugar do mundo. Potenciais compradores são agências governamentais de olho em milícias ou aeroportos, cientistas monitorando áreas de desmatamento e até mesmo investidores checando suprimentos globais.

Banazadeh ressalta que não inventou o radar de abertura sintética, mas que sua companhia fornece uma resolução de 50 cm quadrados por pixel —o que é dez vezes melhor do que oferece as outras empresas do mercado. A qualidade de imagem prometida é tão boa que seria possível olhar dentro dos quartos individuais de um prédio residencial.

Por enquanto, isso é o máximo que Capella pode fazer. Não por limitação técnica, já que a empresa prevê o lançamento de mais seis satélites adicionais em 2021, mas pelo que limita a lei americana. O que pode ser bastante preocupante do ponto de vista da privacidade, pois em breve teremos que inventar leis novas para não sermos vigiados dentro de casa.

Fonte: Tilt

Marcelo Barros
Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Universidade Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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