A Força Aérea Brasileira (FAB) concluiu, no dia 4 de dezembro, no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, região metropolitana de Natal (RN), a Avaliação Operacional (AVAOP) do míssil IGLA-S.  A atividade, coordenada pelo Instituto de Aplicações Operacionais (IAOp), subordinado ao Comando de Preparo (COMPREP), teve como objetivo verificar a capacidade dos mísseis em detectar alvos com diferentes intensidades radiantes e analisar a capacidade desse sistema em manter a navegação em direção a alvos, mesmo quando submetidos a contramedidas do tipo flare (artefatos lançados para confundir os mísseis).

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O treinamento consistiu no lançamento de alvos simulados sobre o mar por aeronaves H-36 Caracal, pertencente ao Primeiro Esquadrão do Oitavo Grupo de Aviação (1º/8º GAV) – Esquadrão Falcão, e H-50 Esquilo, do Primeiro Esquadrão do Décimo Primeiro Grupo de Aviação (1º/11º GAV) – Esquadrão Gavião. Logo após, o míssil do sistema IGLA-S era disparado e seus movimentos registrados por câmeras de alta velocidade para verificação da distância de passagem dos mísseis em relação aos alvos aéreos.

O Gerente da AVAOP, Tenente Engenheiro Carlos Henrique da Silva Rodrigues, Oficial do IAOp responsável pelas fases de planejamento, execução e análise, explicou a dinâmica da Avaliação. “O experimento foi dividido em duas partes.

A primeira, com a preparação logística para o disparo, consistiu na preparação do atirador do míssil e dos alvos aéreos nas aeronaves. Na segunda parte, foi feito o deslocamento da aeronave para o ponto de lançamento, realizamos o lançamento do alvo aéreo, a evasiva da aeronave e, por fim, o disparo do míssil”, completou. Ainda segundo o Gerente, o objetivo foi avaliar o comportamento do míssil em um cenário mais real possível. “Foram dois anos de planejamento. Os resultados fomentarão a utilização da maneira mais eficaz e correta possíveis pelos Grupos de Defesa Antiaérea”, esclareceu.

Aplicação dos resultados

O Diretor do IAOp, Coronel Aviador Alessandro Sorgini D’Amato, ressaltou a relevância dos resultados que esse tipo de atividade proporciona. “De posse do que coletamos aqui, o IAOp produzirá técnicas e táticas em prol do Preparo e Emprego da Força Aérea Brasileira. É importante exaltar o trabalho de todas as Organizações que fizeram parte dessa Operação e, ainda, a interação constante entre as áreas técnica e operacional”, enfatizou. Mais de 50 militares, de 16 Organizações Militares da FAB que compõem três Grandes Comandos, participaram da Avaliação.

O Comandante da Primeira Brigada de Defesa Antiaérea (1ª BDAAE), Brigadeiro de Infantaria Almir Pinto de Lima, ratificou a importância de avaliar o sistema.

“Pela primeira vez, teremos a oportunidade de realizar uma análise científica, baseada em parâmetros pré-estabelecidos do real desempenho do sistema de míssil antiaéreo que operamos na FAB, em situação específica de combate. O resultado dessa Avaliação permitirá melhorias em nossas táticas, técnicas e procedimentos”, lembrou.

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) é a Organização responsável por desenvolver os alvos simulados. O Diretor do IAE, Brigadeiro Engenheiro César Demétrio Santos, disse que o treinamento proporcionou maior operacionalidade ao CLBI e destacou aspectos relevantes que resultam da integração entre Unidades que participaram da Avaliação. “Nessa parte de entregáveis, é importante deixar em evidência o trabalho feito por Institutos subordinados ao DCTA [Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial].

Temos a participação do IAOp, subordinado ao COMPREP, que é interessado principalmente nos ensaios dos mísseis IGLA-S, e temos a participação do IAE, junto com o CLBI, provendo todos os meios necessários para que ocorra a operação e atenda aos interesses do Comando de Preparo”, acrescentou.

O míssil

O míssil IGLA-S destina-se a engajar aeronaves voando a baixa altura, ou seja, até 3.500m, em rota de aproximação ou afastamento, bem como veículos aéreos não tripulados (VANT) e mísseis de cruzeiro, mesmo em ambientes de contramedidas com fonte de calor (flares). É um armamento portátil do tipo fire and forget, ou seja, “atire e esqueça”.

Apresenta o alcance máximo de utilização de 6.000 metros e pode ser disparado de posições fixas, viaturas em movimento em terreno plano (até a velocidade de 20 km/h) e vagões ferroviários (até a velocidade de 50 km/h).

O conjunto em posição de combate pesa 16,7 kg e pode ser lançado do ombro do atirador nas posições de pé ou de joelho, apresentando o tempo de reação de 13 segundos. Seu sistema de guiamento é de Atração Passiva por Infravermelho, que funciona por meio da detecção de fontes de calor emitidas pelo alvo, como por exemplo, o calor oriundo das turbinas de uma aeronave.

O sistema IGLA-S possui a capacidade de diferenciação de alvos verdadeiros e alvos falsos, como por exemplo, flares, por meio da inserção de um Circuito de Seleção na Cabeça de Guiamento do míssil.

IAOP

O Instituto de Aplicações Operacionais (IAOp), subordinado ao Comando de Preparo (COMPREP) e situado no campus do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), tem por missão conduzir as atividades de Aplicações Operacionais, a fim de contribuir para o Preparo e o Emprego da Força Aérea Brasileira (FAB). As ações ocorrem por meio do desenvolvimento de técnicas, táticas e soluções operacionais, além de suporte ao processo decisório do COMPREP.

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Fonte: Agência Força Aérea, por Tenente Jonathan Jayme

Marcelo Barros
Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Universidade Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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