Enriquecimento de urânio: Entenda qual a importância e como é feito

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Centrífugas utilizadas para enquecimento de urânio em uma usina nuclear dos Estados Unidos WIKIPÉDIA

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O Irã anunciou na última segunda-feira (4) que voltou a enriquecer Urânio a 20%, violando o acordo nuclear firmado em 2015 com outras potências mundiais.

Segundo o professor Aquilino Senra, do departamento de energia nuclear da Escola Politécnica da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o urânio enriquecido a essa concentração é produzido atualmente por 12 países, entre eles o Brasil.

As duas principais finalidades do urânio nessa condiação são geração de energia e fabricação de propulsores para submarinos. Algumas nações fazem ainda pesquisas científicas para o desenvolvimento de radiofármacos para aplicação na medicina.

A grande questão é que ao enriquecer o urânio a 90% também é possível fabricar bombas nucleares. Por esse motivo há uma rígida fiscalização da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) para evitar que não ocorra o desvio desse recurso.

O que é enriquecimento de urânio e como se dá este processo?

De acordo com Senra, o enriquecimento de urânio nada mais é do que aumentar a capacidade energética do urânio natural.

Para isso, é preciso aumentar a concentração do urânio 235, que efetivamente gera as fissões nucleares e resultam na energia que é produzida nos reatores, em meio ao urânio 238.

“O urânio vem na natureza com um percentual de 0,7% de urânio 235, o que é muito baixo. Se você colocar a substância em um reator, praticamente não se sustenta, então há a necessidade de elevar este percentual entre 3,8% e 5% dentro da atmosfera do urânio natural”, explica.

“Podemos comparar este processo com o aumento da potência da gasolina por exemplo. Quando a gasolina aditivada é adicionada a gasolina comum, ela se torna mais potente. O mesmo vale para o urânio enriquecido”, completa.

Uma vez extraídos os diferentes tipos de urânio, as substâncias são trituradas, fragmentadas e passam por diferentes processos químicos para se extrair o que é chamado no jargão técnico de concentrado de urânio ou yellow cake (em português, bolo amarelo), uma espécie de pasta.

“Com o objetivo de facilitar o processo de centrifugação, que consite em separar um urânio do outro, a substância é transformada em um gás chamado hexafluoreto de urânio e levado a milhares de centrífugas que trabalham em uma velocidade supersônica durante dias a fio”, afirma.

Por fim, o gás é convertido novamente em um pó denominado dióxido de urânio, a partir do qual são produzidas pastilhas que são encapsuladas nos elementos combustíveis e posteriormente transportadas para os reatores nucleares.

O processo tem um alto custo financeiro e cresce exponencialmente com o índice de enriquecimento. Por isso, a a maioria das bombas nucleares hoje em dia são feitas a partir de plutônio.

Por Sofia Pilagallo, estagiária do R7 sob supervisão de Pablo Marques

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