Dos mares extraímos cerca de 95% do petróleo, 80% do gás natural e 45% do pescado produzidos no País. Pelas rotas marítimas escoamos mais de 95% do comércio exterior brasileiro. Diante desse cenário, ter uma mentalidade marítima, ou seja, entender a influência do mar na nossa sociedade, exige conhecimentos e percepções que, normalmente, deixam de estar ao alcance de significativa parte do povo brasileiro.

Nesse contexto, o Clube Naval realiza a primeira edição do Concurso Almirante Paulo Moreira da Silva com o tema “Políticas públicas de incentivos aos setores estratégicos da Economia do Mar”, que tem como objetivo principal incentivar as pesquisas sobre os assuntos navais, além de aproximar a Marinha do Brasil do meio acadêmico.

A entrega dos trabalhos poderá ser feita até o dia 16 de setembro, pessoalmente na Sede Social do Clube Naval, no Rio de Janeiro, ou pelos Correios. Podem participar alunos de graduação, especialização e pós-graduação realizados no Brasil, em instituição de ensino reconhecida pelo Ministério da Educação e Cultura. O autor que vencer o concurso vai receber a quantia de R$ 10 mil e um certificado.

Economia do Mar
A Economia do Mar pode ser entendida como um conjunto de setores econômicos que tem relação direta e/ou indireta com o mar. Segundo o Professor Adjunto do Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos da Escola de Guerra Naval e Coordenador do Grupo Economia do Mar, Prof. Dr. Thauan Santos, normalmente os principais setores relacionados ao tema são: energias e mineração offshore; construção e reparação naval; transporte marítimo; turismo; esporte e lazer; defesa; pesca e aquicultura.

De acordo com o Contra-Almirante (Fuzileiro Naval) José Henrique Salvi Elkfury, Diretor Cultural do Clube Naval, o tema foi escolhido devido a sua relação direta com o desenvolvimento do nosso País. “A intenção do concurso é ampliar o debate junto ao meio acadêmico de forma a divulgar o conceito de Economia do Mar e todos os seus aspectos, contribuindo assim para a criação de uma mentalidade marítima na sociedade. A competição também visa criar oportunidades para que novas ideias surjam para aprimorar as atividades desenvolvidas nesse setor da nossa economia”, pontua.

Cada país tem seu próprio conceito sobre Economia do Mar, utilizando termos distintos para se referir à questão, como “Economia Azul”, “Economia Oceânica” ou “Economia Marinha”. Assim como na definição do termo, cada país evidencia os seus setores estratégicos com base na sua realidade.

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Pescadores da Baía Formosa no Rio Grande do Norte

Como afirma o Prof. Dr. Thauan Santos, incentivar pesquisas sobre o assunto no Brasil ajuda a dar a devida visibilidade à questão, estimulando novas análises e discussões teórico-metodológicas. “No caso brasileiro, essa iniciativa não é apenas importante, mas imprescindível. A relevância que a Economia do Mar possui é clara, inclusive em termos espaciais, devido ao tamanho da nossa Amazônia Azul. Boa parte da população brasileira reside nas zonas costeiras e litorâneas e, paralelamente, parcela significativa da produção econômica também ocorre nessas regiões. Indústrias e atividades econômicas chave para o desenvolvimento do País dependem do mar ou são desenvolvidas nele.”

Sobre o Almirante Paulo Moreira da Silva
O nome do concurso é uma homenagem ao Almirante Paulo Moreira que hoje é considerado um pioneiro nos estudos relacionados ao mar no Brasil. Em sua trajetória ressaltam-se atividades de pesquisa no que veio a ser, em 1957, o Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade. Ele foi o primeiro Superintendente para o Desenvolvimento da Pesca, cargo vinculado ao Ministério da Agricultura, em 1963, representou o País no Simpósio sobre navios nucleares realizado pela Agência Internacional de Energia Atômica em Hamburgo, na Alemanha, em 1971, e foi representante do Brasil na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente em Estocolmo, na Suécia, em 1972, entre outras atribuições.

Com mais de 30 trabalhos em sua produção científica – com pesquisas nas áreas de climatologia, oceanografia, meteorologia, biologia marinha e hidrografia – recebeu várias premiações em âmbito nacional e internacional. Também foi um dos criadores e ex-presidente da Fundação de Estudos do Mar, além de ser o idealizador do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira que, como forma de homenagem, também leva o seu nome.

Serviço – Concurso Almirante Paulo Moreira da Silva 
Entrega dos trabalhos até 16 de setembro no Departamento Cultural do Clube Naval ou pelos Correios
Prêmio: R$ 10 mil e um certificado
Regulamento disponível no site www.clubenaval.org.br
Endereço: 5º andar da Sede Social – Av. Rio Branco, 180, Centro – Rio de Janeiro – RJ

Assista ao vídeo sobre Economia do Mar, no canal da Marinha do Brasil:

YouTube video

Marcelo Barros, com informações e imagens da Marinha do Brasil
Jornalista (MTB 38082/RJ). Graduado em Sistemas de Informação pela Estácio de Sá (2009). Pós-graduado em Assessoria de Comunicação (UNIALPHAVILLE), MBA em Jornalismo Digital (UNIALPHAVILLE), Administração de Banco de Dados (UNESA), pós-graduado em Gestão da Tecnologia da Informação e Comunicação (UCAM) e MBA em Gestão de Projetos e Processos (UCAM). Atualmente é o vice-presidente do Instituto de Defesa Cibernética (www.idciber.org), editor-chefe do Defesa em Foco (www.defesaemfoco.com.br), revista eletrônica especializado em Defesa e Segurança, co-fundador do portal DCiber.org (www.dciber.org), especializado em Defesa Cibernética. Participo também como pesquisador voluntário no Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval (EGN) nos subgrupos de Cibersegurança, Internet das Coisas e Inteligência Artificial. Especializações em Inteligência e Contrainteligência na ABEIC, Ciclo de Estudos Estratégicos de Defesa na ESG, Curso Avançado em Jogos de Guerra, Curso de Extensão em Defesa Nacional na ESD, entre outros. Atuo também como responsável da parte da tecnologia da informação do Projeto Radar (www.projetoradar.com.br), do Grupo Economia do Mar (www.grupoeconomiadomar.com.br) e Observatório de Políticas do Mar (www.observatoriopoliticasmar.com.br) ; e sócio da Editora Alpheratz (www.alpheratz.com.br).

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